Rádio Observador

Hong Kong

“Ofereço o meu mais sincero pedido de desculpas”: Carrie Lam não vai aplicar lei da extradição mas recusa demitir-se

A chefe do executivo de Hong Kong já tinha lamentado a situação, mas através de um porta-voz. Esta terça-feira deu a cara e anunciou que a lei não será aplicada no seu mandato.

A posição da política surgiu em conferência de imprensa. Os manifestantes afirmam no entanto que enquanto a lei não for completamente eliminada vão manter os protestos

Getty Images

“Ouvi o povo alto e em bom som.” Foi assim que – através de um pedido de desculpas público raro – a chefe do executivo de Hong Kong garantiu que a polémica lei da extradição não será aplicada durante o seu mandato. Carrie Lam ofereceu as suas “mais sinceras desculpas” pelos protestos que têm levado milhares às ruas de Hong Kong mas afirmou que não se vai demitir – mesmo depois de o povo assim exigir.

Ouvi-vos alto e em bom som e refleti profundamente em tudo o que aconteceu. As preocupações dos últimos meses foram causadas pelas deficiências do governo de Hong Kong”, admitiu Carrie Lam.

No fim-de-semana, Lam tinha adiado novamente o debate da lei e muitos manifestantes exigiram a sua demissão. “Como esta lei causou tanta ansiedade e preocupações nos últimos meses, eu não vou proceder à aplicação deste exercício legislativo se estes medos e ansiedades não puderem ser devidamente atendidos”, explicou esta terça-feira a política.

Mas o que está a levar centenas de milhares de pessoas a sair às ruas de Hong Kong e enfrentar a polícia? Em causa está uma lei que permitiria a Carrie Lam e a tribunais de Hong Kong processar pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios. Ou seja, suspeitos de crimes poderiam ser extraditados do território de Hong Kong para países como a China. A lei seria debatida em parlamento na quarta-feira, mas os manifestantes cercaram o edifício.

Carrie Lam é conhecida por liderar o território de Hong Kong de forma fria e dura e também por não demonstrar emoções. Já tinha pedido desculpa no domingo, mas através de um comunicado escrito e emitido por um porta-voz do governo. Admitiu que as “deficiências” no trabalho do governo levaram a “substanciais controvérsias”, que desapontaram o povo. Nesse dia, muitos manifestantes disseram que a posição de Lam não foi sincera e continuaram o terceiro protesto da semana – uma manifestação histórica que juntou nas ruas dois milhões de pessoas. 

Já esta terça-feira, Carrie Lam deu a cara e assumiu que não se vai demitir: “Sei que o meu trabalho nos próximos três anos vai ser muito difícil”. Eleita em 2017, a política cumpre o segundo de um mandato de cinco anos.

A chefe do executivo salientou a forma “pacífica” e “racional” com que o povo se manifestou e propôs-se ainda a recuperar a confiança de Hong Kong.

Eu e a minha equipa vamos trabalhar muito para voltar a ter a confiança do público”, prometeu a política.

Os manifestantes afirmam que vão manter os protestos – que duram já há uma semana – até que Lam elimine completamente a lei da extradição. Com a simples suspensão da lei, o povo de Hong Kong teme que a lei possa ser retomada pelas autoridades no futuro.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
China

Macau não é como Hong Kong. Pois não

José Álvares
177

Embora ambos fossem entrepostos de comércio, em Macau havia cooperação por parte de Portugal com a China, enquanto em Hong Kong havia apenas o dizer dos britânicos. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)