A trotinetas eléctricas invadiram a maior parte das cidades europeias e Paris é disso um dos melhores exemplos. Há 12 empresas a explorar este tipo de serviço e todas juntas têm mais de 20.000 veículos a circular em toda a cidade. Ainda que sejam evidentes as vantagens que esta solução assegura, em termos de mobilidade urbana, bem como a redução das emissões poluentes, a realidade é que os acidentes que provocam têm causado alguns problemas à presidente da câmara Anne Hidalgo.

Hidalgo decidiu que as trotinetas movidas a bateria vão passar a estar limitadas a uma velocidade de somente 8 km/h nas zonas com maior presença de peões, ou seja, pouco mais do que a velocidade atingida por uma pessoa a andar a pé. Nas zonas menos congestionadas da capital francesa, a velocidade permitida será 20 km/h, próximo do valor máximo para a maioria destes veículos eléctricos (entre 25 e 30 km/h).

A decisão da autarca limita substancialmente as vantagens de recorrer às trotinetas, que até aqui permitiam deslocações rápidas pela cidade, ultrapassando confortavelmente a velocidade média dos automóveis à hora de ponta. Daí que se esperasse uma resposta à altura por parte dos operadores, que se poderiam sentir atacados. Mas, ao contrário do que se poderia pensar, os principais operadores, como a Lime e a Bird, optaram por não levantar ondas contra Anne Hidalgo, ela que foi uma das primeiras a avançar com uma série de medidas para limitar o potencial dos veículos com motores diesel, apesar de não existirem quaisquer argumentos técnicos ou científicos que penalizem as unidades mais modernas face às suas congéneres a gasolina.

A Lime afirmou que decidiu “reduzir a velocidade para 20 km/h em Paris e para 8 km/h nas zonas pedonais, de forma a manter a parceria construtiva com as cidades onde opera”, enquanto a Bird declarou que “estava decidida a ajudar Paris a tornar-se mais verde e mais limpa”, oferecendo uma alternativa às deslocações em automóvel. “Mais de 300.000 pessoas utilizam os nossos serviços, poupando cerca de 800.000 kg de CO2, pelo que estamos apostados em implementar de imediato as novas restrições, de modo a poder continuar a assegurar um serviço de mobilidade a que os franceses já se habituaram”, sublinha o operador.