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Futebol

O azar de Roberto Firmino num jogo em que o Brasil teve pouca sorte (e pouca bola)

Os três golos do Brasil com a Venezuela foram anulados por erros de Firmino e a seleção brasileira não carimbou a passagem aos quartos da Copa América. "Nada a reclamar" com o VAR, disse Tite.

O avançado do Liverpool foi o responsável pela anulação dos três golos

AFP/Getty Images

A seleção brasileira não tem propriamente boas memórias da última competição em que participou enquanto anfitriã. No Mundial 2014, depois de vencer o grupo em que estava inserido e eliminar Chile nos oitavos e Colômbia nos quartos, o Brasil chegou às meias-finais com a Alemanha convencido de que tinha chegado a hora de ver a canarinha levantar novamente o troféu de campeã do mundo. A escandalosa goleada por 7-1 às mãos dos alemães, para lá de brutal e traumatizante, tornou-se especialmente dura por ter sido em casa. De repente, o facto de ser a seleção anfitriã tornava-se o pior pesadelo do Brasil.

Passaram cinco anos. Pelo meio, houve mais um Mundial algo dececionante para os brasileiros, que caíram nos quartos da fase final realizada na Rússia no verão passado aos pés da Bélgica de Hazard. Desde a passada sexta-feira, o Brasil está a ser novamente a seleção anfitriã de uma competição que pretende conquistar: a Copa América já está a chegar ao fim da fase de grupos e o conjunto orientado por Tite fez esta terça-feira o segundo jogo, já depois de ter vencido a Bolívia na partida inaugural. Na Fonte Nova Arena, na Bahia, a seleção brasileira só precisava de bater a Venezuela para garantir o passaporte para os quartos de final. Mas não só encontrou um conjunto venezuelano que não vira a cara a nenhum desafio como foi derrotado pelo VAR — e por três golos anulados.

Aos 37 minutos, já perto do intervalo e já depois de Neres e Richarlison terem desperdiçado oportunidades, Roberto Firmino atirou de longe e bateu Faríñez. A equipa de arbitragem, porém, decidiu anular o lance por falta do avançado do Liverpool na altura em que ganha a bola. A primeira parte terminou sem golos mas Gabriel Jesus, que entrou ao intervalo, festejou ainda no quarto de hora inicial do segundo tempo: a jogada foi considerada ilegal por parte do VAR, que alertou o árbitro para a posição irregular de Firmino na altura em que assiste o jogador do Manchester City. A dois minutos do apito final, Philippe Coutinho voltou a abanar as redes venezuelanas mas o terceiro golo foi também o terceiro golo anulado — e graças ao mesmo protagonista. Coutinho rematou mas a bola desviou em Firmino, que estava novamente em posição de fora de jogo.

A partida ainda teve uns impressionantes dez minutos de tempo extra, graças às duas intervenções do VAR, mas não foi mesmo além do nulo. O Brasil empatou com a Venezuela e precisa agora de esperar pela última jornada da fase de grupos, sábado com o Peru, para saber se continua na Copa América ou se perpetua a sina de não conseguir ser feliz em casa. A impaciência dos adeptos brasileiros fez-se sentir ao longo da partida, intensificada de forma óbvia pelos três golos anulados, e a seleção foi mesmo assobiada já nos instantes finais: Tite, de forma específica, ouviu uma enorme vaia quando decidiu trocar Casemiro por Fernandinho já na segunda parte.

Gabriel Jesus ainda festejou…mas o lance acabou anulado por fora de jogo de Firmino, que fez a assistência

Já após o final do jogo, o selecionador brasileiro reconheceu que a equipa não tinha “absolutamente nada a reclamar” quanto às decisões do VAR. Já Filipe Luís, lateral do Atl. Madrid, mostrou-se desiludido com os assobios dos adeptos e garantiu que “ninguém saiu sem suar a camisa”. “Todo o mundo já foi vaiado e aplaudido. A torcida vaiar não ajuda, ir contra a gente, gritar ‘olé’ para o adversário. No fim das contas, quem sai perdendo somos nós. Só podemos reverter essa situação com a torcida no campo. Todo mundo deu o que podia, isso eles têm de reconhecer”, atirou o jogador de 33 anos, que foi apoiado por Thiago Silva.

“Quando não se ganha é difícil. A vaia é normal no futebol, mas é preciso reconhecer o nosso trabalho defensivo, recuperando todos os lances. Na frente, a gente se precipitou algumas vezes, errou passes, mas a equipa comportou-se bem. Mas quando não faz golo parece que foi tudo errado”, defendeu o central do PSG. O Brasil não jogou o suficiente para bater a Venezuela mas também não teve a sorte suficiente para conseguir bater a Venezuela. No sábado, com o Peru, vai precisar de um dos dois fatores: ou jogar bem ou ter boa sorte. 

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