Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia vão tentar chegar esta quinta-feira, em Bruxelas, a um acordo sobre quem liderará a Europa nos próximos cinco anos, mas o compromisso, embora urgente, afigura-se difícil.

O objetivo declarado é chegar a acordo este mês, antes da sessão inaugural do ‘novo’ Parlamento Europeu resultante das eleições de maio, que terá lugar em Estrasburgo de 2 a 4 de julho próximo. A assembleia deverá eleger o seu novo presidente, e este é um dos altos cargos que é suposto ser negociado em pacote, juntamente com as presidências da Comissão Europeia, do Conselho Europeu, do Banco Central Europeu e ainda o cargo de Alto Representante para a Política Externa, de modo a serem respeitados os necessários equilíbrios (partidários, geográficos, demográficos e de género).

Na carta-convite endereçada na quarta-feira aos líderes, o presidente do Conselho Europeu insistiu por isso na importância de se chegar a um entendimento já esta quinta-feira.

A tarefa, já tradicionalmente árdua, de chegar a um entendimento sobre a distribuição dos cargos, é este ano ainda mais complexa, em função dos resultados das eleições europeias, que ditaram o fim da hegemonia do Partido Popular Europeu (PPE) e dos Socialistas Europeus na assembleia. A nova legislatura será a primeira desde que há eleições diretas, em 1979, em que as duas maiores forças políticas europeias não têm, em conjunto, uma maioria no hemiciclo.

Agora, a chamada “grande coligação” necessita agora de outros parceiros pró-europeus, designadamente os Liberais (com o reforço francês Emmanuel Macron), que também reclamam um posto para si. Por outro lado, o Conselho Europeu, onde têm assento os chefes de Estado ou de Governo dos 28, também se encontra atualmente muito dividido, com sete líderes do PPE, seis dos Socialistas (a que em breve se poderá juntar um sétimo, face à vitória na Dinamarca), oito dos Liberais (incluindo já Macron) e sete não alinhados com qualquer das três grandes famílias.

Como sempre, a presidência da Comissão Europeia — o verdadeiro governo da UE, e há 15 anos consecutivos na posse do PPE (José Manuel Durão Barroso teve dois mandatos, entre 2004 e 2014, antes de Jean-Claude Juncker) –, é o cargo mais apetecido, e o PPE volta a reclamá-lo, dado ter vencido as eleições europeias, mas PSE e Liberais têm sido categóricos na recusa do nome em que os conservadores insistem, o alemão Manfred Weber.

Além dos cargos, os chefes de Estado e de Governo vão aprovar — e isso é seguro — a agenda estratégica da UE até 2024, que a nova liderança da União deverá conduzir.

Para sexta-feira está agendada uma cimeira do euro, para análise dos tímidos avanços alcançados pelos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) no aprofundamento da União Económica e Monetária, designadamente no desenvolvimento de um instrumento orçamental próprio para a competitividade e convergência na zona euro.