Antigamente eram sempre abertos e sem filtros no final para falar com quem se quisesse. Depois começaram a ter regras. A seguir passou para menos dias e apenas um aberto a seguir aos jogos. Mais tarde, surgiram os “15 minutos” (onde em resumo de via a entrada dos atletas, as corridas iniciais de aquecimento, uns toques na bola e pouco mais). Agora, salvo raras exceções em alturas especiais no início da época, na altura do Natal ou em dias de aniversário, todos os treinos dos principais clubes portugueses são fechados à imprensa, incluindo recolhas de imagens. A evolução dos tempos no futebol português também se fez sentir nas sessões de trabalho diárias e agora, quando se consegue ter uma ideia do que se está a passar, a única hipótese são os canais dos próprios clubes, que de quando em vez fazem uns diretos. Diferente da realidade no Brasil.

Depois das folgas prolongadas por causa da Copa América, que parou todas as competições no país, os jogadores do Flamengo regressaram esta quinta-feira aos treinos e a estreia de Jorge Jesus no Ninho do Urubu, onde está concentrado o quartel general do clube do Rio de Janeiro, foi acompanhada ao pormenor por toda a imprensa até determinada altura – e com alguns bónus que saíam nas redes sociais oficiais do clube, nomeadamente a primeira palestra e alguns excertos do treino.

“O mais importante aqui dentro é o Flamengo, não é o treinador nem é o jogador. É o Flamengo e por isso temos de olhar todos num objetivo e num compromisso de equipa (…) Não se pode falar de outra maneira neste clube, é ganhar, ganhar, ganhar”, atirou o antigo técnico de Benfica e Sporting, que esteve nos sauditas do Al-Hilal, na palestra com os jogadores, onde estavam também presentes adjuntos, restante staff e os dirigentes mais próximos do futebol no clube.

Mais tarde, os jogadores começaram por fazer trabalho de ginásio, sendo percetível também aí os reparos que iam sendo feitos e determinados exercícios por Jesus, o adjunto principal João de Deus e o preparador físico Mário Monteiro. Seguiu-se a subida ao relvado, com um drone (controlado pelos analistas Rodrigo Araújo e Gil Henriques) a dar nas vistas a par de outra “inovação” que o português decidiu implementar desde já: a utilização de coletes com números nas costas.

“A primeira qualidade do jogador é saber pensar o jogo. A segunda é saber decidir. Primeiro é pensar, depois é decidir a quem é que se passa. Só depois é que vem a terceira, que é a execução. A execução não vem primeiro que isto, isso não existe no futebol”, gritou Jesus numa parte do treino transmitida pelo Twitter do Flamengo, já depois de ter “apertado” com o ritmo de corrida dos jogadores com um percetível “Continua, c******” que gerou sorrisos entre os próprios jogadores e muitas reações de apoio por parte dos adeptos, que antes tinham comentado de forma positiva o excerto da palestra divulgado.

O treino passou depois a ser à porta fechada, com os jogadores a ficarem cerca de duas horas no relvado.