O empresário Joe Berardo vai chamar Paulo Macedo e Faria de Oliveira como testemunhas no processo judicial contra os bancos Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco, avança o Jornal Económico. Também Vítor Constâncio, ex-governador do Banco de Portugal, vai ser chamado como testemunha, ainda que o porta-voz de Berardo reconheça que será testemunha “hostil”, tal como tido adiantado pelo Observador.

Segundo aquele jornal, Paulo Macedo, atual presidente da Caixa, vai ser chamado na qualidade de antigo vice-presidente do BCP que participou na reestruturação dos créditos de Berardo em 2008, e Faria de Oliveira vai ser chamado na qualidade de presidente da Caixa Geral de Depósitos que terá dado, em 2008, luz verde à reestruturação dos créditos. Em causa está o processo judicial em que são reclamados quase mil milhões de euros de dívidas por parte da CGD, BCP e Novo Banco.

Faria de Oliveira e Paulo Macedo terão participado, por isso, na reestruturação dos créditos de Berardo que ascenderam a quase 400 milhões de euros. Já Vítor Constâncio tem rejeitado sempre qualquer envolvimento na qualidade de governador do Banco de Portugal na altura, tendo insistido esta semana, na segunda audição na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, que não compete ao regulador autorizar operações de crédito e tendo negado as notícias que apontam para uma reunião a sós, à época, com o comendador e colecionador de arte.

“Depois de saber das declarações de Vítor Constâncio, o comendador não tem mais dúvidas de que o ex-governador será testemunha, ainda que se apresente antecipadamente como testemunha hostil”, afirmou o porta-voz de Joe Berardo.

Os empréstimos a Berardo na ordem de quase 350 milhões de euros foram concedidos entre julho de 2006 e maio de 2007, e serviram para financiar o comendador na luta pelo controlo do BCP. As próprias ações do BCP serviram como garantias, mas a partir de 2008 começaram a desvalorizar, sendo que a Caixa Geral de Depósitos sabia que Berardo enfrentava dificuldades para liquidar as dívidas.