Rádio Observador

Porto

Concurso elegeu “o doce do Porto” que leva trouxas de ovos e feijão branco

757

O “Delícia do Porto” pretendia eleger um doce que representasse a cidade e foi com uma sobremesa conventual que Gabriela Ribeiro o venceu. Os chefs Ljubomir Stanisic e Hélio Loureiro foram jurados.

O concurso "Delícia do Porto" decorreu de abril a junho

Autor
  • Maria Martinho

Aveiro tem os ovos moles, o Algarve tem o Dom Rodrigo e Lisboa tem o pastel de nata, mas o Porto não tinha um doce que o identificasse e homenageasse. O convite era simples: eleger a especialidade de doçaria que representasse o distrito. “Não há nenhum doce que se possa considerar como sendo característico do Porto. Temos muita doçaria, mas é doçaria Portuguesa e nenhuma se pode apresentar como o doce tradicional do Porto”, afirma Olga Domingues, responsável pela organização do concurso “Delícia do Porto”.

Não utilizar aditivos e ingredientes como óleos alimentares, margarinas ou xaropes de glucose, ter até três dias de durabilidade, ser original, criativo, fácil de transportar e apresentado em doses individuais que não ultrapassem a 100 gramas foram alguns dos requisitos que constavam no regulamento do concurso. Das vinte candidaturas recebidas, apenas seis passaram a uma fase posterior onde o público foi chamado a pronunciar-se através de provas em locais públicos da cidade e na aplicação móvel do evento, representando 30% no apuramento do vencedor.

Com um painel de jurados formado por várias confrarias da cidade e nomes como os chefs de cozinha Ljubomir Stanisic e Hélio Loureiro, o concurso teve a final marcada no passado dia 20 de junho, na Alfândega do Porto, onde a doceira Gabriela Ribeiro se sagrou vencedora. A criação é inspirada na sua paixão pela doçaria conventual, sendo uma homenagem ao que se fazia no extinto Convento de S. Bento de Avé Maria do Porto, que se situava no que é hoje a Estação de S. Bento.

 

“Nesse convento usava-se o milho, pão, trouxas de ovos, eu acrescentei o feijão para a criação desta peça”, conta a pasteleira. A iguaria colorida, fofa e composta por camadas tem a forma de um coração, evocando “o momento em que D. Pedro IV doou o seu coração à cidade do Porto como forma de agradecimento pela lealdade do povo da cidade à causa liberal”.

Gabriela Ribeiro terá um prémio de dez mil euros e vai poder participar no eventos e feiras onde a especialidade criada venha a ser promovida. Além de ter de prescindir dos direitos de autor da receita, a vencedora tem o dever de dar formação às equipas de pasteleiros que pretendam fabricar a “Delícia do Porto”, estando depois disponível, segundo a organização, no comércio tradicional, na hotelaria, nas caves de vinho do Porto e nos cruzeiros do Douro.

Além de Gabriela Ribeiro, como finalistas ficaram as propostas de Rui Pereira, do restaurante “Forninho da Granja”, Joana Sousa, mentora do projeto “The Pastry Lab”, e Sandro Silva, da pasteleria “Natas D’Ouro”. O concurso foi organizado pela empresa alimentar Lezíria das Delícias, e contou com o apoio da Escola de Hotelaria e Turismo, da Associação dos Industriais de Panificação, Santa Casa da Misericórdia do Porto, entre outras entidades.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)