As mensagens que um rapaz de 18 anos enviou à namorada na noite em que alegadamente foi sexualmente agredido pelo ator Kevin Spacey estão a ser analisadas em tribunal. O telemóvel da alegada vítima desapareceu, mas os printscreens (capturas de ecrã) das mensagens estão compilados em documentos do tribunal de Massachusetts, noticia a CNN.

“Tipo, ele está aqui comigo no bar. Ele ficou com o meu número e convidou-me para sair com ele”, mostra a conversa do rapaz com a namorada. Durante a conversa, a alegada vítima conta à namorada que Kevin Spacey lhe tocou nos genitais: “Ele puxou-me o fecho para baixo. Meu Deus, ele está a tocar-me nas calças”, escreveu o rapaz.

A CNN refere que os printscreens em análise começam já a meio da conversa e que o rapaz pediu ajuda várias vezes à namorada. A alegada vítima disse ainda à namorada para ir à rede social Snapchat. Já tinha sido divulgado que o rapaz teria filmado os avançados do ator de 59 anos através desta aplicação.

Alan Jackson, advogado de Kevin Spacey, defende que partes da conversa foram omitidas. “Os printscreens das mensagens trocadas entre o acusador e a namorada na noite em questão estão incompletas”, afirma o advogado. “Parece haver intervalos entre estas mensagens”, acrescenta. Jackson voltou a afirmar que o rapaz de 18 anos apagou propositadamente certas partes da conversa. O advogado que representa o ator norte-americano diz ainda que o rapaz “exagerou partes da história para impressionar os amigos”. 

Entretanto, o tribunal ordenou que o telemóvel do rapaz fosse entregue para nova análise. Os procuradores já tinham analisado o telemóvel: fizeram uma cópia dos dados e depois devolveram o aparelho. Mas a alegada vítima, a sua família e o advogado afirmam agora que não se lembram de terem recebido o telemóvel e que não o conseguem encontrar. 

Os advogados envolvidos no caso receberam um CD do tribunal com uma cópia dos ficheiros recolhidos do telemóvel. Contudo, a defesa de Spacey afirma que esses dados não são suficientes para fazer “uma análise apropriada”. Querem autorização para recuperar dados alegadamente apagados do telemóvel pelo jovem.

O juiz Thomas Barret, que está à frente do caso, prolongou até 8 julho o prazo para o telemóvel ser entregue. Se até lá o aparelho não aparecer, o rapaz, a sua mãe e o advogado de defesa serão obrigados a testemunhar em tribunal sobre o seu paradeiro.

O caso terá acontecido em 2016 mas foi apenas tornado público em 2017 pela mãe da vítima, a jornalista Heather Unruh. Unruh acusou numa conferência de imprensa Kevin Spacey de ter agredido sexualmente o seu filho num bar em Nantucket, o The Clube Car — onde a alegada vítima trabalhava. Os documentos da investigação policial referem que a alegada vítima terá “tentado afastar-se com o corpo”, afastando também as mãos de Kevin Spacey. Contudo, o ator “continuou a tentar tocar-lhe nas calças”.

A mãe do jovem relatou na altura que o rapaz ter-se-á cruzado com Kevin Spacey e ficou “encantado” por conhecer o ator. Spacey terá pago várias bebidas ao rapaz e convidou-o a ir para sua casa. A defesa diz que o rapaz e o ator apenas se envolveram num “namorisco consensual”. 

Entretanto, continuam as audiências sobre o caso. Na primeira audiência, realizada em janeiro, Spacey chegou a fazer um requerimento para não ter de estar presencialmente no tribunal. O juiz recusou o pedido e o ator norte-americano teve de comparecer na audiência. Spacey participou na segunda audiência via telefone.

Já este mês, o ator que foi protagonista da série “House of Cards” fez uma aparição surpresa no tribunal de Massachusetts, numa audiência onde o juiz tinha decretado que a presença do ator não era obrigatória. Na altura, Spacey não fez qualquer comentário sobre o caso.

Este é apenas um dos casos de agressão sexual do qual é alvo Kevin Spacey. O primeiro episódio relatado terá acontecido em 1986 e vitimou o ator Anthony Rapp, quando este tinha 14 anos. Entretanto, a lista de pessoas que acusam o ator norte-americano de assédio e agressão sexual já ultrapassa as três dezenas.