Faltam pelo menos 241 médicos especialistas nos hospitais portugueses e o Governo chega a demorar mais de um ano a autorizar a contratação destes profissionais, noticia este sábado o jornal Público, referindo-se a dados recolhidos numa ronda feita pelo jornal junto de vários centros hospitalares e hospitais do país.

O jornal ilustra a situação com o caso do hospital de Santa Maria, em Lisboa, que está há nove meses à espera de que o Governo autorize a concretização de um contrato sem termo com um obstetra que está desde janeiro sem vínculo oficial ao hospital — mas a trabalhar. O especialista foi contratado à tarefa, mas esse contrato já acabou, e o prolongamento ainda não recebeu luz verde do Governo.

Por isso, tem sido a administração do hospital a assegurar o pagamento do salário ao especialista, para evitar que o médico, responsável pelas ecografias, não tenha de deixar o hospital — que tem graves carências nas equipas de obstetrícia. Não há, para já, fim à vista para esta situação.

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, explicou ao mesmo jornal que as autorizações do Governo à contratação de profissionais (no setor da saúde e noutras profissões) “podem demorar mais de um ano“. O responsável acrescentou em declarações ao Público que a demora é “arbitrária” e que “a maior demora acontece no Ministério das Finanças”.

Não são raros os casos em que a autorização demorou tanto tempo que o médico acabou por desistir do SNS e já encontrou emprego no privado ou noutro país.

Mas é difícil saber quantos pedidos de contratação pendentes existem no país. De acordo com a notícia do Público, que questionou vários hospitais do país e recebeu respostas de quatro centros hospitalares (os de Lisboa Norte, de Lisboa Central, de Lisboa Ocidental e do Algarve) e do hospital de Beja, faltam pelo menos 241 especialistas.

Já o Governo recusa dar números concretos. “O Governo considera prioritária a gestão de Recursos Humanos, analisando todos os pedidos de contratação de forma integrada e com a máxima celeridade, respeitando sempre as necessidades dos serviços de saúde”, disse o Ministério da Saúde.

Esta semana, o jornal Público noticiou que devido à falta de médicos especialistas no Serviço Nacional de Saúde, as urgências para grávidas nos centros hospitalares de Lisboa poderão encerrar de forma rotativa.

Ministra da Saúde: “As contratações não demoram um ano”

A ministra da Saúde, Marta Temido, recusou, em declarações à SIC, que haja qualquer “proibição” e sublinhou que o Governo prefere as contratações por concurso face às contratações diretas. “Nós tendemos a preferir que as contratações por concurso se sobreponham à contratações diretas”, afirmou a governante. “Por vezes dizem-nos ‘as contratações demoram um ano’. As contratações não demoram um ano”, assegurou.

“Nós por vezes preferimos que as contratações não sejam efetivadas nalguns hospitais que são mais centrais, que têm mais tendência para fixar recursos humanos”, disse a ministra, sublinhando a importância de “distribuir melhor” os profissionais de saúde.