Podemos falar de passado. Das 21 indicações às estatuetas douradas, dos três Óscares conquistados, da legião de elogios carreira fora, de todas as vezes que levou os espetadores às lágrimas ou lhes arrancou gargalhadas. Ou então aproveitar a deixa para lembrar que a miúda nascida em Summit, New Jersey, em 22 de junho de 1949, está mais fresca do que nunca. A boa forma da atriz volta a revelar-se em pleno na segunda temporada da série “Big Little Lies” — se o elenco e o enredo já eram bons, tudo passou a ser ótimo com a chegada de Meryl Streep, de que vamos voltar a ouvir falar muito em breve.

Em maio, com o elenco da série “Big Little Lies”, Reese Witherspoon, Zoe Kravitz, Laura Dern, Shailene Woodley, e Nicole Kidman © Dia Dipasupil/Getty Images

Streep garante que nem chegou a ler o guião da série quando o convite lhe bateu à porta. A primeira temporada bastou para convencer a atriz e, para mais, a personagem em questão, tem o seu nome de batismo, papel que parece feito por medida para Mary Louise, capaz de roubar todas as cenas na pele da sogra de Nicole Kidman, nesse emaranhado de mentiras que é a vida em Monterey.

Do mundo da gastronomia a fazer as vezes de Julia Child às diabruras de Miranda Priestley em “O Diabo veste Prada”, de “África Minha” e “As Pontes de Madison County” ao bem disposto musical para toda a família “Mamma Mia”, Meryl, a americana que fez carreira na Broadway depois de passar pela Yale School of Drama e que tem acumulado personagens de peso atrás de personagens de peso, prepara-se para chegar ainda este ano ao grande ecrã, em “Mulherzinhas”, a fita baseada no romance de Louisa May Alcott, numa versão dirigida por Greta Gerwig. O filme, com estreia prevista para dezembro, conta ainda com Emma Watson, Florence Pugh, Saoirse Ronan, Laura Dern e Timothée Chalamet. Streep será a Tia March.

Em linha com o atual paradigma do lazer, Streep andará, também ainda em 2019, pela plataforma de streaming Netflix, onde chegará o novíssimo título do realizador Steven Soderbergh. A atriz junta-se no elenco de “The Laudromat”, inspirado no escândalo dos Panama Papers, a Gary Oldman, Antonio Banderas, David Scwhimmer, Will Forte, e Riley Keough.

Com a realizador Greta Gerwig, durante a rodagem da longa-metragem “Mulherzinhas” @ Imdb

Mas poderá haver mais novidades a breve trecho. Depois da confissão de Sharon Stone, que em 2018 deixava escapar que participara num projeto com Martin Scorsese, apanhando tudo e todos de surpresa, espera-se que não tardem os detalhes sobre este filme ainda sem título conhecido que deverá juntar Stone, Meryl Streep e ainda Robert De Niro, um drama que se encontrará em fase de pós-produção.

À margem do cinema, não faltam algumas atribulações mediáticas no caminho da veterana. Em 2016 apoiou Hillary Clinton na corrida à Casa Branca, contra Donald Trump, que ao assumir o cargo de presidente dos EUA rapidamente tratou de classificar Meryl Streep como a mais “sobrevalorizada de Hollywood”. Sobre o comentado movimento #MeToo, voltou a ver o seu nome na berlinda quando a atriz Rose McGowan lhe apontou o dedo por se manter em silêncio sobre o caso de assédio e violação que despoletou toda a onda envolvendo o produto Harvey Weinstein.

Meryl, a mãe de quatro filhos (e avó pela primeira vez no passado mês de março) vive em Tribeca, Nova Iorque, com o escultor e marido, Donald Gummer, uma união que se estende há quatro décadas. Foi com Gummer que assistiu à chegada dos galardões máximos pelo seu desempenho no grande ecrã. Primeiro por “Kramer contra Kramer”, em 1979. Mais tarde pelos papéis em “A escolha de Sofia” (1983) e “A Dama de Ferro” (2012). E quem sabe se o quarto Óscar não poderá estar na calha.