A ministra da Cultura, Graça Fonseca, diz que o Estado português vai saber até ao final deste ano o número exato de obras de arte da coleção do Estado que se encontram por localizar.

Numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, a governante voltou a recusar que as cerca de 170 obras estejam desaparecidas, sublinhando de novo que se encontram “por localizar“, e sublinhou que até ao final de 2019 a Direção-Geral do Património Cultural deverá terminar a “conferência de inventário” — ou seja, a identificação da localização e do estado de conservação de todas as obras que fazem parte da coleção pública.

A polémica estalou no início do mês com uma notícia do Expresso que dava conta de que o Estado português tinha perdido o rasto a 170 das 1.367 obras que compõem a Coleção de Arte Contemporânea do Ministério da Cultura, um dos principais tesouros que fazem parte do património público do país.

Estado perdeu o rasto de 170 obras de arte que detinha, entre desenhos de Júlio Pomar e fotografias de Helena Almeida

Entre as obras cuja localização não era conhecida do Estado encontram-se trabalhos de Júlio Pomar, Helena Almeida, Andy Warhol ou Robert Mapplethorpe. Muitas obras, assinalava na altura o Expresso, poderão ter-se perdido em mudanças entre embaixadas e gabinetes de ministérios, onde estiveram expostos numa altura em que não havia registos dos percursos das obras de arte.

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Dois dias depois da publicação da notícia, a ministra da Cultura rejeitou que as obras estivessem desaparecidas. Antes, necessitariam “de uma localização mais exata”.

“O que nós sabemos é muito mais do que se sabia há dois anos. E muitas dessas obras não estão desaparecidas. Ao longo dos anos houve uma política de empréstimos a diferentes instituições, normalmente públicas, e o trabalho que a DGPC [Direção-Geral do Património Cultural] está a fazer é, local a local, identificar as obras que não estão em determinados locais mais centrais“, disse Graça Fonseca.

Ministra recusa que obras de arte estejam desaparecidas. “Precisam de uma localização mais exata”

Agora, a ministra veio garantir, em entrevista ao DN e à TSF, que o trabalho estará concluído até ao final deste ano — e lembrou que “é muito importante” conhecer a história da coleção.

“A coleção do Estado começa em 1976. Aliás, é notável que seja das primeiras medidas de política pública depois do 25 de Abril. E esta coleção, ao longo destes 43 anos, teve inúmeros modelos gestionários e inúmeras formas de inventário. No fundo, é o resultado de um acumular de alterações orgânicas, de transferências de uma entidade para outra, de políticas de empréstimo, etc.”, explicou Graça Fonseca.

“A minha avaliação é que nunca houve nenhuma política estruturada de gestão de uma coleção do Estado”, acrescentou.

Em 2017, afirmou Graça Fonseca, o Estado decidiu atribuir à Direção-Geral do Património Cultural “a gestão centralizada da coleção, com uma missão muito clara” — a de “pegar no único inventário conhecido até hoje, provisório, que é de 2011 – que é um inventário que, em 2011, identificava que a coleção tinha 1367 obras, das quais 170 apareciam com a identificação “local não identificado”, creio que era assim que aparecia em 2011″.

Independentemente de qualquer polémica, temos é de uma vez por todas arrumar esta casa. Porque esta casa exige duas ou três coisas. Fiz hoje um despacho para a direção-geral para uma nova fase daquele que tem sido o trabalho desde 2017″, sublinhou.

Agora, Graça Fonseca deixou a promessa: “O trabalho que vai ser feito a partir de agora é o seguinte: até ao final deste ano o que a direção-geral vai fazer é, por um lado, concluir aquilo que se chama a conferência de inventário”. Além disso, a DGPC vai desenvolver um trabalho paralelo de definição de linhas de programação para a coleção. Tudo isto, repetiu a ministra, será feito “até ao final deste ano”.