Erwin Komenda e Ferdinand Porsche foram dois respeitados engenheiros austríacos, o primeiro 31 anos mais novo do que o segundo. Passaram ambos pela Mercedes, cruzaram-se na Steyer e Erwin acabaria por seguir Ferdinand, quando este fundou a Porsche, que à época era apenas um gabinete de engenharia e consultoria, uma vez que a produção de veículos só começaria mais tarde.

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Um dos primeiros trabalhos realizados pela Porsche, encomendado por Hitler, pretendia ser um automóvel simples, robusto e com capacidade para transportar uma família. Acabou por ser conhecido por Carocha, mas internamente era o VW Type 1. O fornecedor de Hitler era a empresa de Ferdinand, sendo Erwin um dos seus melhores funcionários e efectivamente Komenda trabalhou activamente no Type 1, tal como saiu por completo da sua imaginação e arte os Porsche 356 e 550 Spyder. Contudo, a filha de Erwin colocou a VW em tribunal exigindo 5 milhões de euros pelo papel que o seu pai teve no design do Carocha.

Segundo a Automotive News, a polémica que levou tudo a tribunal não dizia respeito aos direitos sobre os primeiros Carocha, mas sim os últimos, produzidos a partir de 2014. O tribunal de Brunswick, na Alemanha, analisou os desenhos de Komenda, fornecidos pela queixosa e decidiu que se assemelhavam a outros veículos que foram produzidos na primeira metade do século XX, negando o direito à compensação.

O juiz entendeu ainda que a filha não tinha conseguido provar que o seu pai teve um papel determinante no design do primeiro Carocha, produzido em 1938. Esta decisão deverá finalmente colocar um ponto final sobre a polémica em torno da paternidade das formas do Carocha, que há muito se arrasta entre os familiares de Erwin – falecido em 1966 – e o Grupo VW, que é controlado pela família de Ferdinand.