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Estados Unidos da América

Supremacista branco que matou manifestante em Charlottesville pede para não ser condenado a prisão perpétua

"Nenhum indivíduo é inteiramente definido pelos seus piores momentos", dizem os advogados de James Alex Fields Jr., que matou uma pessoa em Charlottesville em 2017. Pedem "misericórdia" para o jovem.

James Alex Fields Jr. acelerou o seu carro contra uma multidão em Charlottesville, matando uma ativista anti-racismo

AFP/Getty Images

O supremacista branco que matou uma pessoa e deixou várias feridas durante as manifestações na cidade norte-americana de Charlottesville em agosto de 2017 pediu ao tribunal que não o condene a prisão perpétua.

James Alex Fields Jr., de 22 anos, lançou o seu carro contra uma multidão que se manifestava contra um desfile de um grupo de supremacistas brancos que decorria naquele dia em Charlottesvile, matando a ativista Heather Heyer e deixando várias pessoas feridas.

De acordo com a Associated Press, os advogados que representam o jovem — que se apresentou perante o juiz como culpado e que deverá conhecer a sentença no próximo dia 28 — consideram que “nenhuma punição que seja imposta ao James pode reparar o dano que ele causou a dezenas de inocentes“, mas o tribunal “tem de perceber que retribuição tem limites”.

Os procuradores responsáveis pelo caso defendem pena de prisão perpétua para James Alex Fields Jr., admirador assumido de Adolf Hitler (de quem tinha uma fotografia na mesa-de-cabeceira), e argumentam que o jovem nunca mostrou qualquer arrependimento pelos atos que cometeu.

Porém, os seus advogados pedem, num documento entregue ao tribunal na última sexta-feira, uma “expressão de misericórdia” do tribunal perante o jovem, aplicando-lhe uma pena menor do que a prisão perpétua. “Nenhum indivíduo é inteiramente definido pelos seus piores momentos“, argumentam.

O jovem já tinha conseguido escapar à pena de morte ao concordar em colaborar com a justiça, apresentando-se como culpado e falando abertamente em tribunal. James Alex Fields Jr. admitiu que acelerou contra a multidão propositadamente.

As manifestações de Charlottesville tornaram-se num símbolo do supremacismo branco de hoje nos Estados Unidos.

Naquele dia, centenas de nacionalistas dirigiram-se à cidade para protestar contra a decisão tomada pelo Estado de retirar de um local público uma estátua do general Robert E. Lee, um dos comandantes mais conhecidos da Confederação durante a Guerra Civil americana.

Centenas de manifestantes anti-racismo juntaram-se no mesmo dia na cidade para uma contra-manifestação. Os dois grupos envolveram-se em confrontos físicos, com vários feridos. James Alex Fields Jr., um dos supremacistas brancos que participava na manifestação, atropelou vários ativistas durante os protestos.

No documento agora entregue ao tribunal, os advogados de James Alex Fields Jr. argumentam que o jovem teve uma infância traumática, tendo sido criado por uma mãe solteira paraplégica num contexto em que o seu avô judeu assassinou a sua avó — episódio que, de acordo com a defesa de Fields, justifica o antissemitismo do jovem.

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