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Índia

A cidade indiana com 5 milhões de habitantes que está a ficar sem água

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O Lago Puzhal, um dos principais reservatórios da cidade de Chennai, na Índia, praticamente secou no espaço de um ano. Famílias esperam horas por acesso a água potável.

Apenas um quarto dos lares indianos têm água potável em casa.

Autor
  • Beatriz Ferreira

Apenas um ano separa as duas imagens tiradas via satélite. O suficiente para que os níveis de água de um dos reservatórios da cidade de Chennai, o Lago Puzhal, se reduzissem drasticamente devido à seca que assola a Índia. Na primeira imagem, de 15 junho de 2018, é possível ver uma mancha azul-escuro no centro de uma paisagem urbana densamente populada. Na segunda imagem, tirada um ano depois, no último domingo, o cenário é já bem diferente. A mancha azul passou a cinzenta. Quase não resta água na sexta maior cidade da Índia.

Um vídeo aéreo e várias fotografias, da autoria de Srini Swaminathan, mostram o que resta do lago. “Paguei por um lugar à janela [no avião] para ver de cima a situação de seca da minha cidade”, disse à CNN.

A crise no Lago Puzhal não é caso único na cidade de Chennai, na costa do Oceano Índico. Os outros três reservatórios da localidade também estão quase secos, porque as monções – ventos que mudam de direção consoante a estação do ano, levando o ar seco da terra para o mar ou o ar húmido do oceano para o continente, causando chuva – tardam a chegar. A isso juntam-se as temperaturas altas, que já mataram centenas de pessoas. Resultado? A Chennai Metro Water, empresa responsável pelo fornecimento de água e tratamento de esgotos na cidade, teve de cortar a água que fornece em 40%. Sem água potável, a solução para os cinco milhões de habitantes é a água não potável retirada de poços improvisados. Outra das alternativas passa pelo transporte de água, em camiões, diretamente para os bairros de Chennai. Diariamente, centenas de milhares de residentes não têm escolha senão esperar horas na fila, sob temperaturas abrasadoras (entre os 30 e os 40 graus), para encher latas ou recipientes de plástico.

Suresh Subburaman, morador de Chennai e proprietário do hotel Nivis Kitchen, luta para manter o negócio. “Estamos abertos e, de alguma forma, a funcionar. Este é o nosso único negócio. Não temos outra opção. Temos que saber gerir isto”, disse Subburaman, à CNN. “Há pouco tempo, a água chegava todos os dias a casa. Agora, só a obtemos de três em três dias ou de quatro em quatro. Armazenamos a água num pequeno tanque ou em potes de plástico de 20 litros em casa”, disse Subburaman.

Segundo a CNN, embora as autoridades municipais estejam a dar prioridade no acesso à água às famílias de baixo rendimento, há moradores que podem esperar até um mês pela chegada de um camião-tanque. Não há dados oficiais sobre quantas pessoas estão sem água em Chennai, atualmente. Um estudo do Governo, de 2018, dava conta de que apenas um quarto dos lares indianos têm água potável em casa. Cerca de 200 mil pessoas morrem por ano devido devido ao fornecimento inadequado ou à contaminação da água.

As ondas de calor são uma realidade um pouco por toda a Índia. No início deste mês, por exemplo, na cidade de em Churu, no Rajastão, a cerca de 2000 kilómetros de Chennai, a temperatura atingiu os 50ºC. O Ministério da Saúde já emitiu recomendações para que as populações se mantenham em lugares abrigados, evitando, por um lado, a exposição solar entre o meio-dia e as 15 horas, e, por outro, a ingestão de bebidas alcoólicas, chá e café.

O ano passado foi o sexto mais quente na Índia desde que os valores nacionais começaram a ser registados em 1901, sendo que 11 dos 15 anos mais quentes de sempre ocorreram desde 2004.

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