Os mais distraídos podem até dizer que o verão de 2019 é um verão sem futebol. É verdade que não há nem Campeonato da Europa nem Campeonato do Mundo: mas também é verdade que se há coisa que existe neste verão de 2019 é futebol. Atualmente, em todo o mundo, estão a decorrer três grandes competições continentais que têm tanto significado para as respetivas regiões como um Europeu tem para a Europa. Na América do Sul, a Copa América está já no fim da fase de grupos; na América do Norte, Central e nas Caraíbas, a Gold Cup arrancou na semana passada; e em África, a CAN começou no Egito na sexta-feira.

Como é já habitual, existem ligações a Portugal nas três competições. Desde os vários jogadores sul-americanos que atuam em Portugal a Carlos Queiroz enquanto selecionador da Colômbia na Copa América, passando por Raúl Jiménez, ex-Benfica treinado por Nuno Espírito Santo em Inglaterra, na seleção mexicana na Gold Cup e terminando em Slimani, Marega e Diaby na CAN. Esta segunda-feira, perante a Tunísia, era tempo de Angola se estrear na maior competição de seleções do continente africano e tentar começar com o pé direito a participação no torneio.

Orientada pelo sérvio Srdjan Vasiljevic, a seleção angolana levou para a CAN seis jogadores que atuam clubes portugueses: Bruno Gaspar (Sporting), Jonathan Buatu (Rio Ave), Mateus (Boavista), Wilson Eduardo (Sp. Braga), Gelson Dala (Rio Ave/Sporting) e Evandro Brandão (Leixões). Destes, só Gaspar, Eduardo e Mateus eram titulares no jogo de estreia com a Tunísia. Os angolanos entraram bem no jogo e até dominaram até à meia-hora, altura em que o rápido contra-ataque dos tunisinos terminou com uma grande penalidade cometida por Paizo sobre Sliti. Na conversão, o avançado Msakni colocou a Tunísia a vencer.

Msakni, capitão da seleção da Tunísia que inaugurou o marcador frente a Angola, jogou no Qatar às ordens de Rui Faria até janeiro

Msakni que, por sua vez, também tem ligações a Portugal — ou pelo menos a portugueses. O jogador de 28 anos, que atualmente está emprestado aos belgas do Eupen onde Claude Makélélé é treinador, pertence aos quadros do Al-Duhail, clube do Qatar que é orientado por Rui Faria, antigo adjunto de José Mourinho. No emblema qatari, Msakni cruzou-se ainda com Nakajima, antigo jogador do Portimonense que é alegadamente um dos alvos do FC Porto no atual mercado de transferências (e que está ao serviço da seleção japonesa na Copa América).

Ao intervalo, Wilson Eduardo foi substituído pelo também “português” Gelson Dala, que chegou a estar em risco para a estreia na CAN mas acabou por conseguir recuperar a tempo de ser opção. O golo do empate acabou por surgir já a menos de 20 minutos do apito final, numa altura em que Angola conseguia causar mais perigo junto da área tunisina e parecia aproveitar o caráter algo partido que o jogo estava a ganhar. O empate angolano apareceu por intermédio de Djalma Campos, o avançado de 32 anos que jogou no Marítimo e no FC Porto e é filho de Abel Campos, que chegou a ser campeão nacional pelo Benfica no final da década de 80.

No final de um jogo com muitas ligações a Portugal, Angola acabou por conseguir evitar a derrota frente a um dos grandes candidatos à vitória final e mantém viva a esperança do apuramento para os oitavos de final da CAN. A seleção angolana volta a entrar em campo no próximo sábado, frente à Mauritânia (15h30), e depois no dia 2 de julho, terça-feira, com o Mali de Marega e Diaby (20h).