Rádio Observador

Acidente Ferroviário

Condutor não respeitou sinalização em acidente ferroviário com três mortos em Barcelos

Condutor não respeitou a sinalização da passagem de nível e contornou as barreiras de segurança, concluiu a investigação. O sistema automático estava activo e "funcionou conforme projetado".

Acidente causou a morte de uma avó e uma neta, de 65 e 10 anos, e um amigo da mulher, de 71 anos

O condutor do automóvel com três ocupantes, que morreram após colisão com um comboio, na semana passada, em Barcelos, não respeitou a sinalização da passagem de nível e contornou as barreiras de segurança, concluiu a investigação.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) explica hoje numa nota informativa que “o sistema automático de proteção da passagem de nível para os utilizadores rodoviários funcionou conforme projetado e de acordo com o previsto na legislação aplicável” e que “o sistema de aviso luminoso e sonoro da PN [Passagem de Nível] estava ativo há 45 segundos, quando o acidente ocorreu”.

A colisão ocorreu às 9h45 de 19 de junho na passagem de nível de Carapeços, no concelho de Barcelos, distrito de Braga, onde a Estrada Nacional 204 cruza a Linha do Minho, causando a morte aos ocupantes da viatura: uma avó e uma neta, de 65 e 10 anos, e um amigo da mulher, de 71 anos, disse esta terça-feira à agência Lusa fonte policial.

Os investigadores constataram ainda que “as barreiras [de segurança] ficaram comprovadamente fechadas 31 segundos antes do acidente”, sublinhando que “veículo rodoviário entrou no espaço ferroviário após o fecho” das mesmas.

“Na entrada e passagem pelo espaço ferroviário, o veículo rodoviário não danificou as barreiras fechadas. As evidências indicam que o acidente se deveu a um comportamento do utilizador rodoviário não propiciado por lacunas no sistema ferroviário”, concluiu o GPIAAF.

A investigação refere que o comboio internacional de passageiros da CP, que tinha saído de Vigo, em Espanha, com destino à Estação de Campanhã, no Porto, circulava a 99 quilómetros por hora, ou seja, “dentro do limite de velocidade permitido no local”, abaixo dos 100 quilómetros por hora, velocidade máxima permitida naquela zona.

A Passagem de Nível (PN) em causa dispõe de sistema automático de proteção para utilizadores rodoviários e peões.

“Após o acidente foi constatado que os componentes do sistema de proteção automática da PN não apresentavam qualquer avaria ou dano, funcionando normalmente. Nomeadamente, nenhuma das barreiras de proteção apresentava qualquer dano, indicando que o veículo automóvel entrou no espaço ferroviário sem derrubar a barreira que vedava a via. O sistema de monitorização remota da PN não acusou qualquer tipo de anomalia durante a sequência de funcionamento relativa à passagem do comboio envolvido no acidente”, indica a nota informativa do GPIAAF.

Na zona destinada aos comentários, o GPIAAF destaca que “este acidente coloca em evidência, mais uma vez e de forma trágica, a necessidade de os utilizadores rodoviários das passagens de nível cumprirem escrupulosamente com as indicações dadas pelos sistemas de proteção existentes, resistindo à tentação de subestimar o risco envolvido”.

“Segundo os relatórios anuais de segurança publicados pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, os acidentes em passagens de nível constituem a segunda maior categoria de acidentes envolvendo o transporte ferroviário, apenas ultrapassados pela colhida de pessoas fora destes atravessamentos”, sublinha este organismo de investigação.

O GPIAAF entendeu ainda “não haver motivo para, no âmbito das suas atribuições, proceder a um processo de investigação formal, decidindo arquivar o processo de análise preliminar aberto”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)