O presidente iraniano, Hassan Rohani, acusou esta terça-feira os Estados Unidos de mentirem quando disseram que queriam negociar com Teerão, após o anúncio das sanções contra o líder supremo do Irão e o ministro dos Negócios Estrangeiros, entre outros dirigentes do Irão.

“Ao mesmo tempo em que apelam às negociações, tentam sancionar o ministro das Relações Exteriores! É óbvio que estão a mentir”, disse Rohani, num discurso transmitido pela televisão.
Rohani considerou ainda que as novas sanções dos EUA são “ultrajantes e idiotas”.

O conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton, lamentou o silêncio “ensurdecedor” do Irão, dizendo que a porta permanece aberta a “negociações reais”, apesar das atuais tensões entre Washington e Teerão.

A reação de Rohani vem juntar-se às de outras duas altas figuras do Irão que diziam que a atitude dos EUA significam o fim da diplomacia entre os dois países e revelavam sede de guerra.

“A imposição de sanções sem qualquer utilidade ao supremo líder do Irão significa o fim permanente do caminho da diplomacia”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Abbas Mousavi, citado pela Reuters. “A administração desesperada de Trump está a destruir os mecanismos internacionais estabelecidos para manter a paz e a segurança no mundo”, disse ainda, esta terça-feira, no Twitter.

As declarações do porta-voz surgem um dia depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Yavad Zarif, ter afirmado que aqueles que são próximos do presidente dos Estados Unidos “estão sedentos de uma guerra”. “Donald Trump está 100 por cento correto que os militares dos Estados Unidos não têm nada a fazer no Golfo Pérsico. A retirada das suas forças está totalmente de acordo com os interesses dos Estados Unidos e o mundo”, afirmou Mohammad Yavad Zarif, também no Twitter.

O ministro acrescentou que existem outros que procuram a guerra. “Agora está claro que existe uma equipa B que não está preocupada com os interesses dos Estados Unidos, que despreza a diplomacia e estão sedentes por uma guerra”, salientou.

Segundo a agência Efe, a equipa B a que Mohammad Yavad Zarif se refere é composta pelo conselheiro de segurança nacional norte-americano, John Bolton, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman. Num outro tweet, o ministro iraniano salienta que a equipa B quase levou o presidente dos Estados Unidos a desencadear uma guerra.

Donald Trump, assinou nesta segunda-feira um decreto que, segundo disse, impõe sanções “duras” dirigidas ao líder supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei, e ao seu círculo próximo, além de um reforço generalizado das medidas punitivas à república islâmica. De acordo com Trump, estas novas sanções seguem-se a “uma série de comportamentos agressivos por parte do regime iraniano no decurso das últimas semanas, incluindo a destruição de um drone americano”. “Vamos intensificar a pressão sobre o Irão”, afirmou o presidente na Casa Branca, assegurando que as medidas poderão permanecer em vigor “durante anos”.

Pouco após as palavras de Trump, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, anunciava que os Estados Unidos também vão impor sanções ao ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros e congelar “milhares de dólares” de ativos iranianos suplementares. “Vamos colocar Zarif” na lista de sanções, “o mais tardar esta semana”, anunciou Mnuchin, para acrescentar que oito altos responsáveis dos Guardas da Revolução também foram sancionados.

O clima de tensão entre os Estados Unidos da América e o Irão dura há bastante tempo, mas a crispação aumentou desde que o Presidente norte-americano, há um ano, retirou o seu país do acordo nuclear internacional assinado em 2015, repondo sanções devastadoras para a economia iraniana.

No sábado, Trump admitiu que o uso da força contra o Irão “está sempre em cima da mesa”, após a confirmação de que o Irão tinha abatido um drone americano — que, segundo Teerão, violou o espaço aéreo iraniano, mas, de acordo com Washington, estava em espaço aéreo internacional. O governante anunciou, como retaliação, um ataque contra três locais no Irão, o qual disse ter abortado à última hora para evitar um elevado número de mortos.