Rádio Observador

PSD

Mais pressão para Rio: Setúbal quer Maria Luís Albuquerque como cabeça de lista

272

Distrital de Setúbal não se limita a indicar o nome de Maria Luís Albuquerque e apontou por "esmagadora maioria" o nome da antiga ministra para cabeça de lista. Decisão é, no entanto, de Rio.

© Fábio Pinto/Observador

A escolha dos cabeças de lista é, segundo os estatutos, da responsabilidade do presidente do PSD. Mas há distritais que vão pressionar Rui Rio a fazer uma escolha que corresponda à vontade das estruturas locais. É o caso de Setúbal. A comissão política distrital reuniu na terça-feira à noite e, segundo apurou o Observador com fontes presentes na reunião, “a esmagadora maioria das concelhias do distrito considera que Maria Luís Albuquerque deve continuar como cabeça de lista”. A posição é mais uma pressão para Rui Rio, que dificilmente aceitará a “sugestão” da distrital.

Chegou a estar preparado um documento da concelhia de Almada (a que propõe o nome da antiga ministra das Finanças) para que esta vontade ficasse escrita, mas a concelhia acabou por recuar para que a posição não fosse entendida como uma afronta ao líder. “Não queremos obrigar o líder a aceitar a nossa sugestão, mas queremos transmitir que a vontade das estruturas é que a cabeça de lista seja Maria Luís“, disse ao Observador uma fonte presente na reunião.

Entre as várias concelhias do distrito, segundo apurou o Observador, apenas a de Setúbal — que indicou o próprio presidente da concelhia (Nuno Carvalho) — se manifestou contra a indicação de Maria Luís como cabeça de lista. Na verdade, a indicação não tem poder estatutário ou regulamentar. Fernando Negrão era para ser o indicado pela concelhia de Setúbal, cidade onde foi candidato a presidente de câmara em 2005, mas o nome acabou por não avançar. Se Fernando Negrão for, como se diz nos bastidores do partido, a preferência da direção para encabeçar a lista no distrito, será indicado diretamente pela nacional.

Entretanto, pelo país fora — mesmo sabendo que Rio irá reservar a informação o máximo que puder –, já vão aparecendo outros nomes de cabeças de lista como consistentes. Desde logo, na distrital do Porto, todos contam que o cabeça de lista seja Rui Rio, onde será uma mais-valia eleitoral (por oposição a Lisboa, onde poderá não ser tão popular). Em Viseu, o nome que circula é o de Fernando Ruas. Ao Observador, a partir de Bruxelas, o antigo presidente da câmara de Viseu admitiu que teve uma conversa com Rui Rio, mas avisou que não ia revelar o conteúdo da mesma. Disse apenas que conta ter ainda “mais algum tempo de vida política ativa” e que não quer “correr à frente do acontecimento”.

Em Santarém, a hipótese Carlos Coelho (que também chegou a ser falado para Lisboa) perdeu força, uma vez que não há sequer qualquer garantia que o ainda eurodeputado queira ser deputado à Assembleia da República. A própria distrital, nas reuniões que tem tido, prefere a liderar a lista um militante inscrito no distrito (o que excluiria também Morais Sarmento, com ligações ao distrito, ou David Justino, que tem casa no Cartaxo). Para Santarém há duas hipóteses: ou Isaura Morais — atual autarca em Rio Maior, mas no último mandato — ou o presidente da distrital, João Moura.  A reunião da distrital é esta quarta-feira à noite para definir que lista vai seguir para a nacional.

Já em Aveiro, pelas estruturas, circulam três hipóteses: o influente António Topa, o antigo líder Luís Filipe Menezes (que seria uma escolha completamente fora da caixa neste momento) ou um independente que também não seja óbvio. Em Braga, também ainda só se falam de hipóteses para encabeçar a distrital: há quem defenda que Rio dava uma lição de superioridade voltando a indicar Hugo Soares, há quem defenda que deve ser André Coelho Lima e, por fim, quem fale num empresário de sucesso de Braga (um dos fundadores do sistema de software Primavera).

Em Portalegre, também se antecipam problemas. O PSD só costuma eleger uma pessoa no distrito, já que é um círculo pequeno. Por isso, a estrutura defende que devia ter uma influência mais forte no cabeça de lista, pois não tem mais lugares (potencialmente elegíveis) sobre os quais se pronunciar. Para já há dois nomes em cima da mesa: o do presidente da distrital António Miranda e o do líder da JSD/Portalegre e vice-presidente da JSD, e que terá mais apoios das concelhias, Diogo Cúmano. Ambos apoiaram Santana Lopes nas diretas, por isso membros da atual estrutura desconfiam que Rio quer escolher para o lugar o antigo presidente da distrital, Armando Varela. E caso faça essa escolha, como explica ao Observador fonte da distrital, “vai haver demissões”. Isto porque “o partido retirou a confiança política a Armando Varela por ele ter aceitado pelouros na autarquia”. Diz a mesma fonte, “a distrital acha inadmissível que possa ser cabeça de lista alguém a quem foi retirada a confiança política”.

Em Coimbra há a dúvida se Paulo Mota Pinto quer ser deputado, sendo automaticamente um nome forte para encabeçar uma lista onde Maló de Abreu tem o lugar que quiser. Se Mota Pinto descer ligeiramente para cabeça de lista em Leiria, Margarida Mano pode encabeçar a lista em Coimbra — dependerá da avaliação que Rio fizer do “caso dos professores”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rpantunes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)