O Atlético de Madrid já confirmou oficialmente a oferta por João Félix, o jovem avançado de 19 anos, por 126 milhões de euros (mais seis milhões que a cláusula de rescisão) e o Benfica informou a CMVM que está a analisar o negócio. É um valor que acaba por não ser negociável e que se enquadra numa saída como a de Neymar de Camp Nou: existe esse valor na cláusula de saída de contrato, o comprador tem de pagar a pronto o mesmo (a não ser que exista um acordo com o clube vendedor) e deixar garantias bancárias que assegurem a operação. Quem também ganhará com a transferência é o FC Porto, clube onde João Félix passou na formação e que terá direito a mais de um milhão de euros pelo mecanismo de solidariedade.

“A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD (“Benfica SAD”) informa, nos termos e para o efeito do disposto no artigo 248.º-A do Código dos Valores Mobiliários, que o Club Atlético de Madrid, SAD apresentou uma proposta para a aquisição a título definitivo dos direitos desportivos do jogador João Félix Sequeira por um montante de € 126.000.000 (cento e vinte seis milhões de euros), a qual se encontra a ser analisada. Mais se informa que o valor proposto acima da cláusula de rescisão contempla o custo financeiro indexado ao pagamento a prestações previsto nesta proposta. Caso a Benfica SAD aceite a proposta apresentada, o valor líquido a receber do Atlético de Madrid na data da transferência dos direitos desportivos ascenderá a € 120.000.000 (cento e vinte milhões de euros)”, comunicou a SAD dos encarnados à CMVM.

Em termos globais, esta passa a ser de longe a maior transferência de sempre do Benfica, superando aquele que Luís Filipe Vieira um dia tinha colocado como o jogador que passaria a ser o maior negócio feito por um clube português – Raúl Jiménez, que se juntarmos os três milhões de euros de empréstimo pagos pelo Wolverhampton antes de exercer o direito de opção de 38 milhões, passou a ser a maior venda dos encarnados, superando os 40 milhões de Ederson e Witsel. Em termos nacionais, houve apenas duas superiores: Hulk (Zenit, 60 milhões) e James Rodríguez (Real Madrid, 45 milhões), ambas do FC Porto, a que se juntou este defeso Éder Militão, que vai chegar ao Santiago Bernabéu por 50 milhões de euros.

No ranking das maiores transferências de sempre, João Félix passa a figurar no top 5, apenas superado por Neymar, Mbappé e Coutinho (Dembelé terá ficado por 125 milhões). E com outro dado curioso: os 126 milhões pagos pelo Atl. Madrid ao Benfica serão pouco mais do que o valor que o clube colchonero irá receber pela saída de Griezmann, não se sabendo apenas o destino do avançado francês que já revelou em termos públicos que esta foi a última temporada no Wanda Metropolitano. O avançado supera também os dois registos de Ronaldo que estavam no top 10: 100 milhões de euros do Real para a Juventus em 2018, 94 milhões do Manchester United para o Real em 2009. O outro português no top 50 é Luís Figo, com a saída do Barcelona para o Real em 2000 por 60 milhões.

João Félix assinará um contrato válido para as próximas cinco temporadas até junho de 2024, recebendo nesse período um total de seis milhões de euros líquidos por cada época (30 milhões ao longo de todo o vínculo) e ficando ainda com algumas cláusulas por objetivos mediante conquistas individuais e coletivas que alcance ao serviço do Atl. Madrid.

No final da Taça de Portugal, onde voltou a ser um dos melhores do Sporting naquele que deverá ter sido o último encontro nos leões e na Primeira Liga, Bruno Fernandes não passou ao lado do inevitável tema da saída. Foi, sobretudo, politicamente correto: depois de ter salientado o trabalho feito para apagar um verão de 2018 onde chegou mesmo a rescindir na sequência do ataque à Academia (destacando que quis voltar a assinar pelo clube apesar de ter outras propostas mais tentadoras), admitiu a hipótese de ser vendido mas apenas num cenário bom para ambas as partes e relativizou a cláusula de rescisão no seu contrato.

“100 milhões? Não faço a mínima ideia do meu valor no mercado nem me cabe a mim decidir, por isso não vos consigo dar um número. Não valho mais de 100 milhões. Se o Ronaldo saiu por esse valor para a Juventus, ninguém pode sair por mais do que isso. É impensável, quando a comparação é alguém que tem cinco Bolas de Ouro”, frisou na zona mista do Jamor, antes de falar também da cláusula de 120 milhões de João Félix. “Se ele sair por esse valor, fico contente pelo Benfica e acho que é bom para o futebol português”, acrescentou, por forma a evitar qualquer ideia de crítica ao negócio.

Mais do que medir valores ou fazer comparações, as declarações do internacional português apontavam para outro cenário: em condições normais, e olhando para o currículo de Cristiano Ronaldo, a lógica apontaria para que ninguém fosse vendido (ou comprado) por mais do que a fasquia colocada pelo capitão da Seleção Nacional. No entanto, há muito que a lógica deixou de funcionar, até porque os 222 milhões pagos pelo PSG para contratar Neymar ao Barcelona em 2017 acabaram por retirar lógica a valores que se pagaram nesse mesmo ano por Mbappé (45 milhões pelo empréstimo mais 135 milhões pela opção de compra, para contornar as regras do fair play financeiro) e Coutinho (145 milhões, segundo o Transfermarkt). E a hipótese de alguém bater a cláusula de rescisão por João Félix tornou-se mesmo uma realidade.