O diretor de sistemas de informação da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) afirmou esta quarta-feira que apesar de o porto estar “preparado” para as “ameaças” relacionadas com ciberataques, permanece “vulnerável” a outros ataques cibernéticos.

Contactado pela Lusa a propósito da 5.ª edição da Conferência Internacional de Cibersegurança (C-DAYS), que se iniciou esta quarta-feira na Alfândega do Porto e onde participa, Hugo Bastos disse que apesar das ferramentas tecnológicas desenvolvidas, tendo em vista a cibersegurança dos sistemas portuários, o “porto como um ecossistema de entidades” continua sujeito a “ameaças além das surpresas tradicionais”.

“Temos outro tipo de ameaças além das surpresas tradicionais, uma vez que é um local sujeito ao tráfico ilegal de droga, contrafação, mesmo emigrantes de apoio à emigração ilegal, são algumas das preocupações que temos e os ciberataques que podemos ter ao nível do cibercrime neste âmbito podem ser importantes”, afirmou.

Segundo o responsável, à semelhança do que acontecera em 2013 no Porto de Antuérpia, na Bélgica, quando os sistemas foram atacados por ‘hackers’ motivados pelo tráfico de estupefacientes, também as restantes autoridades portuárias estão em “risco inerente” de serem atacadas em situações semelhantes.

De acordo com Hugo Bastos, o porto do Douro, Leixões e Viana do Castelo está “alinhado” com as restantes autoridades portuárias europeias, mas permanece “vulnerável”, nomeadamente no que diz respeito à “coordenação com todos os agentes económicos”.

“O porto é muito mais do que a APDL, daí a nossa preocupação em termos a APDL como autoridade portuária dentro do porto e ser o promotor das boas práticas de cibersegurança”, disse Hugo Bastos, adiantando, contudo, existir “muito trabalho pela frente”.

“É uma área que temos de trabalhar bastante e, por outro lado, temos que, junto com Centro Internacional de Cibersegurança […], trabalhar de forma mais estreita em todas estas componentes, que é capacitar-nos e preparar-nos para o pior e esperar o melhor”, apontou.

À Lusa, o responsável adiantou que a APDL, juntamente com as restantes entidades públicas e privadas que trabalham no porto, tem vindo a “desenvolver ferramentas de tecnologia de inovação”, assim como iniciativas junto dos colaboradores para a “ciber-higiene” de modo a preparar os seus comportamento caso se “deparem” com algum ciberataque.

“As novas tecnologias são fundamentais para a performance e para a operação atualmente, que no Porto já não se faz sem a existência destes meios tecnológicos, daí a importância da cibersegurança na atividade do porto”, sublinhou, acrescentando que o porto tem “capacidade financeira” para investir e preparar os seus sistemas para ciberataques.

“Penso que estamos devidamente preparados como autoridade portuária, mas temos ainda bastante trabalho para fazer pela frente. Não somos exceção face às restantes organizações”, concluiu.