Portugal é o terceiro país do mundo que menos se sente representado pelo seu Governo e onde os cidadãos menos sentem que a sua opinião é tida em conta nos desígnios políticos do seu país. Esta conclusão, retirada de um estudo da Fundação Aliança de Democracias (Rasmussen Global) e do centro de sondagens alemão Dalia Research, foi divulgada pelo jornal Público e nasce de uma análise feita em 50 países do mundo intitulada de Índex de Perceções Democráticas 2018.

De acordo com o estudo — que se auto intitula como o maior alguma vez feito sobre a confiança nos governos –, “as democracias estão a perder os corações e as cabeças dos seus cidadãos”, alegando ainda que “a maioria das pessoas que vive em democracias está desiludida com a ideia de que o seu Governo é formado pelo povo e trabalha para o povo”. No total foram ouvidas 125 mil pessoas oriundas de país democráticos e não democráticos, amostra que representa 75% da população (e economia) mundial.

Nico Jaspers, o diretor executivo da Dalia Research, afirma que “neste momento, o maior risco para as democracias é que o público não as considera mais democráticas.” Uma afirmação que é sustentada com o facto de 64% dos inquiridos estarem insatisfeitos com a democracia por sentirem que o seu Governo “raramente” ou “nunca” age de acordo com o interesse público.

“Os cidadãos sentem que o seu Governo age em representação do interesse público?” “Consideram que a sua voz conta em política?” São estas as duas principais perguntas analisadas por este estudo e que revelaram factos interessantes como o de que as pessoas que vivem em regimes não-democráticos são aquelas que mais consideram que os seus governos agem em função do seu interesse (41% face aos 64% de insatisfação nas democracias), por exemplo.

O país onde o índice de insatisfação na representação política é mais baixo é na Arábia Saudita, onde apenas 15% das pessoas pensa que o seu Governo “nunca” ou “raramente” age no seu interesse.

O país que lidera esta listagem é o Quénia (não é democrático), que tem 80% de respostas nesse sentido, mais 12% que o segundo classificado, a Nigéria, que surge com 68% de insatisfação na representação. Curiosamente, a maioria das nações mais insatisfeitas vive em democracia: 71% dos inquiridos em Portugal considera que o Governo nunca ou raramente age em função dos interesses das pessoas, enquanto na mesma categoria registaram-se valores de 73% na Áustria, 70% na Suécia, 68% na Polónia, 69% na Dinamarca e 67% na Bélgica, Japão, Irlanda, Itália e Canadá.

Já nas respostas à questão “Considera que a sua voz conta em política”, quem lidera é o Japão, com 74% da sua população a responder que “não”, segue-se a Polónia com 63%, e Portugal/França/Áustria com 62%.