Até aqui, a Kia tinha no seu modelo Ceed uma boa arma para se bater no segmento C, o mais importante do mercado europeu. Além da versão de cinco portas, o Ceed contava ainda com uma carrinha convencional, a SW, e outra mais sofisticada em termos de design, a Proceed, que dá ares de shooting brake.

Segundo o director de operações da Kia Europa, Emilio Herrera, as vendas estavam divididas de forma equitativa entre os três, com cada uma das carroçarias a cativar 33% dos interessados. O fabricante sul-coreano acredita que o novo XCeed promete transformar-se no novo líder de vendas, chamando a si 50% dos clientes, sem beliscar grandemente a procura pelo resto das versões.

O XCeed assume-se como um crossover, uma espécie de SUV mas mais civilizado. De caminho, reivindica também o estatuto de CUV (Crossover Utility Vehicle), ou seja, um SUV com filosofia de coupé, modernice hoje muito em voga que se pode traduzir num veículo com alguma capacidade para circular em estradas de terra que faz questão de ser leve, ágil e mais divertido de conduzir em asfalto.

O que é o XCeed?

O novo crossover, ou CUV, é um veículo inteiramente novo e distinto do resto da gama, partilhando obviamente a plataforma com os restantes Ceed, mas possuindo apenas as portas da frente idênticas às da carrinha Ceed SW. Além disto, cabe-lhe exibir a versão mais recente do tiger nose, a grelha da Kia, bem como uma nova forma para os grupos ópticos dianteiros. Na secção lateral sobressai uma maior altura ao solo – similar à do Qashqai, afirma o fabricante, com 17,4 cm com jantes de 16” e 18,4 cm com 18” –, o que lhe reforça o posicionamento entre os SUV, isto apesar de ter o tejadilho a uma altura inferior à que é habitual encontrar nesta classe de veículos.

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Produzido na Europa, onde também foi concebido, o XCeed destaca-se depois por exibir um pilar traseiro com forte inclinação  que dá ares de coupé, sem que isso limite o espaço interior de quem se senta atrás, ou a volumetria da bagageira, que oferece 426 litros, valor que pode crescer até aos 1.378 litros com o rebater do banco posterior.

Com 4,395 metros de comprimento, o CUV assume a mesma distância entre eixos do Ceed de cinco portas, mas é 8,5 cm mais comprido. Sendo, por outro lado, 9 cm mais pequeno do que o Sportage, o SUV da Kia para este segmento. O seu tejadilho está 4,3 cm mais alto do que na versão hatchback, mas 15,5 cm mais baixo do que no Sportage.

Como é por dentro?

O interior do XCeed herda a generalidade dos elementos dos restantes membros da família, com uma posição de condução que nos pareceu correcta, tendo o condutor em frente um painel de instrumentos digital com 12,3”. O ecrã central é de 10,25”, podendo ser de 8” nas versões mais acessíveis, com a visibilidade para o exterior a ser boa, uma vez que os ocupantes estão sentados 4,3 cm acima da cota das restantes versões do Ceed.

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O CUV vai estar disponível em Portugal em duas versões de equipamento, estreando as novas designações do construtor. Assim, em vez do até agora TX, passa a surgir o Drive como o nível mais em conta, para depois o Tech se assumir como o substituto da versão mais equipada, até aqui conhecida como GT Line.

Como seria de esperar, o crossover vai oferecer mais equipamento, tanto de segurança como de entretenimento e conectividade, sendo a novidade mais interessante a inclusão do nível 2 da condução semiautónoma da Kia, denominada Lane Following Assist, que mantém o veículo ao centro da faixa de rodagem, enquanto respeita a distância ao carro da frente.

Três motores e um híbrido plug-in

O XCeed vai ter à sua disposição as mesmas mecânicas dos restantes Ceed, a começar pelo motor a gasolina 1.0 T-GDi sobrealimentado e com três cilindros, que debita 120 cv. Ainda a gasolina, está também disponível o 1.4 T-GDi, um quatro cilindros igualmente dotado de turbocompressor, com 140 cv. A versão 1.6 T-GDi de 204 cv, tradicionalmente associada às versões GT, a mais potente, não está prevista para o nosso país.

Quem percorra longas distâncias com frequência e procure custos de utilização mais baixos, pode sempre optar pelo 1.6 CRDi, o turbodiesel que fornece 136 cv. Apesar da perseguição política de que os diesel são alvo em alguns países, a Kia continua a apostar neste tipo de motorização, pelos consumos mais reduzidos, mas igualmente pelas menores emissões de CO2.

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A novidade é a inclusão, praticamente de início, de uma versão híbrida plug-in (PHEV) na gama do XCeed, toda ela a recorrer exclusivamente à tracção à frente. Recorrendo a uma mecânica que vai partilhar com a variante Ceed SW, o CUV PHEV vai juntar um motor a gasolina a uma unidade eléctrica, que por sua vez será alimentada por bateria com capacidade suficiente para garantir 50 km em modo eléctrico. Tanto para Herrera, como para João Seabra, o director-geral da Kia em Portugal, esta versão PHEV é determinante para o sucesso do crossover, não só junto dos clientes particulares, como igualmente para as frotas dos clientes empresariais.

Quanto custa e quando chega?

O novo XCeed vai ser apresentado no nosso país em meados de Outubro, para as vendas se iniciarem logo de seguida. A versão mais acessível será a equipada com motor 1.0 a gasolina de 120 cv, que com os acabamentos Drive deverá ser proposta por cerca de 25.000€, sensivelmente o mesmo valor exigido pela carrinha Proceed.

O XCeed com motor 1.4 a gasolina, com 140 cv, irá ser comercializado por aproximadamente 27.000€, com a versão equipada com o motor turbodiesel de 136 cv a estar à venda por valores a começar em torno dos 30.000€. Isto confere grande competitividade ao novo modelo, que assim consegue uma ‘vantagem’ próxima dos 4.000€ face ao Sportage com o mesmo motor a gasóleo, diferença de custos em que a marca aposta para o tornar o XCeed mais apetecível.

A versão PHEV do novo CUV só começa a ser fabricada em Novembro na fábrica de Zilina, na Eslováquia, mas a marca está a pensar iniciar a sua comercialização no nosso país em Janeiro ou, no limite, em Fevereiro, com João Seabra a garantir que vai ter unidades disponíveis suficientes para satisfazer a procura. Preços para o PHEV ainda não há, mas ficou a promessa de que serão competitivos, face aos incentivos que esta classe de motorizações usufrui entre nós. Assegurados estão também os 7 anos de garantia, ou 150.000 km.