“Não vou entrar nessa guerra dos números… Agora, tenho as maiores dúvidas que seja sequer 10%” de adesão, afirma Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, em declarações ao Observador, quando confrontado com os números avançados pela Associação Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira (APIT).

“A APIT, que promoveu a greve, representa cerca de 500 trabalhadores” [num universo de 11 mil], atira Paulo Ralha.

“Os serviços estão a trabalhar normalmente, mas eu também não me vou meter nisso, o governo que se meta nessa luta de números, se quiser, mas duvido: nem STI a pagar, com o fundo de greve que constituiu para o efeito, conseguiu números tão elevados, muito menos a APIT, que não tem penetração praticamente nenhuma”, entende Paulo Ralha.

Paulo Ralha entende que a greve “é fruto de uma visão completamente diferente”, que “defende o regresso à separação entre a parte tributária e a parte alfandegária e que visa elitizar a inspeção”.

“Do nosso ponto de vista é contratura”, diz Paulo Ralha, porque a inspeção e a gestão tributária “fazem parte de um corpo que se conjuga”.

Trabalhadores dos impostos em greve manifestam-se pela negociação das carreiras

O STI já teve quatro reuniões com o governo e Paulo Ralha garante que “houve cedências” desde que o governo apresentou a proposta de revisão de carreiras. “Conseguimos ir limando arestas, chegando a pontos de consenso, entendemos que quer do nosso ponto de vista, quer do ponto de vista do governo e da administração [fiscal] houve um esforço para conciliar posições e chegámos a um patamar de entendimento que, do nosso ponto de vista, é razoável”, considera.

O documento está agora a ser “sufragado em vários distritos e regiões” e na próxima segunda-feira haverá conselho-geral para decidir se o STI assina ou não o documento com o governo.