“Continuo a achar que há imenso espaço de entendimento político à esquerda”. Depois do ataque cerrado que Carlos César fez aos parceiros parlamentares, sobretudo ao Bloco, nas últimas jornadas do PS, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, esteve na estreia do programa de debate político da Rádio Observador, o “Vichyssoise”, para sair em defesa da “geringonça”. Carlos César é “líder parlamentar e presidente do partido, diz o que entende e quando entende”, mas ainda há salvação possível para uma geringonça 2.0.

“O que funciona bem, e tem resultados e estabilidade, tem potencial para continuar”, defendeu, afirmando que “ainda há áreas onde é possível entendimentos à esquerda”. Que áreas? “Imensas: transportes, ferrovia, saúde, educação, alterações climáticas”, foram exemplos que deu, rejeitando que o ataque de César ao Bloco (“O Bloco não manda no país”) tenha dificultado o seu trabalho de mediador da “geringonça” no Parlamento. “Não é essa a lógica da nossa relação. Há aspetos que muitas vezes não satisfazem os partidos, até o PS, e lidamos bem com isso. Cada partido tem as suas posições e é natural que os partidos vão afirmando as suas posições”, disse.

Questionado no programa “Vichyssoise” sobre o facto de a Saúde ser um fator de divergência entre os partidos da “geringonça”, nomeadamente no que diz respeito à Lei de Bases e à isenção das taxas moderadoras, onde não foi possível chegar a um entendimento à esquerda, Duarte Cordeiro desvalorizou as divergências e apelou à viabilização do documento saído do grupo de trabalho da lei de bases (o que é omisso quanto às Parcerias Público-Privadas).

“Quando estamos na fase da generalidade, e aprovados, quer dizer que concordamos com o princípio, mas temos de melhorar na especialidade”, disse, explicando que foi isso que aconteceu quando o PS deixou passar a proposta do BE sobre a isenção das taxas moderadoras nos centros de saúde, mas depois veio dizer que não queria uma isenção imediata mas sim faseada. “Não há uma diferença de sentido”, mas sim de “intensidade”, disse.

Já sobre a proposta que está em cima da mesa no grupo de trabalho da Lei de Bases da Saúde e que, nas votações indiciárias, viu retirada qualquer referência às PPP, Duarte Cordeiro apela à sua viabilização. A lógica é “não deitar trabalho fora” e pôr os partidos a viabilizar aquilo em que estão de acordo, deixando para mais tarde aquilo em que não concordam (as PPP). “Nada impede que se viabilize o que se concorda e, no futuro, que se procure entendimento no que não se concorda”, disse, insistindo que “fazia todo o sentido aquela lei ser viabilizada”.

Marcelo ou Jerónimo? Para já, Marcelo…

Na última parte do novo programa de debate político da Rádio Observador, os convidados são confrontados com dilemas de “carne ou peixe”, tendo de escolher uma de duas opções. Foi aí que, perante a situação de apoiar uma recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República ou apoiar uma candidatura de Jerónimo de Sousa à Presidência da República, Duarte Cordeiro preferiu a primeira.

“À data, se fosse hoje, apoiaria a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa”, disse. Antes, tinha recusado escolher uma de duas opções: ser secretário de Estado do ministro Pedro Nuno Santos ou vice-primeiro-ministro de Fernando Medina. “Posso ser vegan?”, atirou entre risos.