A presidência da Comissão Europeia pode estar perto de ser liderada por um socialista. Parecem ser essas as movimentações mais recentes antes da cimeira do Conselho Europeu deste domingo, onde os líderes de cada país da União Europeia se vão reunir para chegar a acordo nas nomeações dos principais rostos do bloco europeu.

De acordo com a correspondente do jornal Público em Bruxelas, as três maiores famílias políticas da Europa — Partido Popular Europeu (PPE), Partido Socialista Europeu (PSE) e Liberais (ALDE) — chegaram a um entendimento para desbloquear o impasse resultante das eleições europeias de 26 de maio.

De acordo com o Público, a solução de compromisso encontrada entre as três partes contempla que o próximo presidente da Comissão Europeia venha a ser escolhido pela PSE. Nesse caso, o nome mais provável é o do holandês Frans Timmermans. Em troca, deverá ser do PPE o próximo líder do Conselho Europeu. Quanto ao ALDE, é possível que venham a escolher o próximo Alto Representante para a Segurança e Política Externa da União Europeia.

Este é o compromisso possível depois de mais de uma mês de impasse, resultante do facto de as eleições europeias de 26 de maio terem sido as mais fragmentadas de sempre.

Até então, as eleições para o Parlamento Europeu nunca tinham tido uma maioria absoluta de um grupo, mas permitiram sempre que o centro-esquerda e o centro-direita chegassem, entre eles, a mais de metade dos deputados. Porém, desta vez, essa barreira só pôde ser quebrada com a soma do centro-esquerda com o centro-direita e com os liberais. Perante esta nova dinâmica no Parlamento Europeu, cada parte obrigou as outras a ir para a mesa de negociações quando chegou a altura de escolher os nomes cimeiros dos principais órgãos governativos da UE.

A confirmar-se esta possibilidade, Frans Timmermans será o primeiro socialista a liderar a Comissão Europeia em 11 anos, depois do italiano Romano Prodi.