O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) assinalou esta sexta-feira que se o PS quiser “garantir a gestão pública das unidades de saúde existentes” contará com uma “posição construtiva” dos comunistas sobre a Lei de Bases da Saúde.

“Queira o PS garantir a gestão pública das unidades de saúde existentes e contará com o PCP para um posicionamento construtivo”, declarou Jerónimo de Sousa, falando no dia em que o PS anunciou que não chegou a acordo com o PSD sobre a revisão da Lei de Bases da Saúde, pedindo o apoio dos “partidos que não se reveem na atual lei que incentiva” as parcerias público-privadas (PPP).

“Em relação a esse apelo, a resposta é singela e clara: estamos a falar de um direito, o direito à saúde, que é universal, geral e gratuito. Um direito de todos os portugueses onde, segundo a nossa Constituição, compete ao Estado garantir a efetivação desse direito”, respondeu o líder dos comunistas.

Uma eventual porta aberta na lei para, em circunstâncias excecionais, haver a entrada de privados, é rebatida pelo PCP, que advoga que “o excecional” em causa “diz respeito a PPP e não a pequenas clínicas”, por exemplo.

“Estamos a falar dos interesses dos grandes grupos económicos”, prosseguiu Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do PCP falava aos jornalistas à margem de um jantar-comício com comunistas da ilha do Faial, nos Açores.

Posteriormente, dirigindo-se a algumas dezenas de apoiantes, o comunista abordou a “batalha exigente” que se segue para a CDU (que junta o PCP ao partido ecologista “Os Verdes”) no rumo para as legislativas de outubro.

“Foi a posição do PCP, depois das eleições de 2015”, que motivou a queda da direita, advogou Jerónimo de Sousa. “Este afastamento, por iniciativa do PCP e da CDU, eles não nos perdoam. Não nos perdoam ter-lhes estragado a festa e o festim por mais quatro anos da destruição do que faltava. Mesmo naquela noite, o próprio PS não acreditou (…) e o Bloco [esteve] distraído a festejar o seu bom resultado. Foi este partido que disse e encontrou a solução para a vida nacional”, afirmou.

A acompanhar o número um do PCP esteve o coordenador do partido nos Açores, Marco Varela, e o já anunciado cabeça-de-lista da CDU pela região às próximas legislativas, António Salgado Almeida.