A aparatosa queda de Jorge Lorenzo logo na primeira sessão de treinos do Grande Prémio da Holanda de Moto GP marcou a antecipação da oitava ronda do Mundial. O piloto espanhol fraturou uma vértebra dorsal, foi assistido num hospital holandês e vai falhar as próximas duas etapas do Campeonato do Mundo — a deste domingo, na Holanda, e a seguinte, na Alemanha.

Com Lorenzo fora das contas, a nova surpresa apareceu com Marc Márquez que — pela primeira vez desde que o Mundial começou — não conseguiu qualificar-se para a primeira linha da grelha de partida. O espanhol fez o quarto melhor tempo, atrás de Álex Rins, Maverick Viñales e Fabio Quartararo, que se tornou o piloto mais novo de sempre a conquistar duas pole-positions consecutivas (o anterior recorde pertencia precisamente a Márquez, que alcançou esse feito em 2013).

Já Miguel Oliveira realizou um início de qualificação promissor, conseguindo ser o sétimo mais rápido entre os 11 pilotos que completaram a primeira ronda, e terminou com o 17.º melhor tempo do pelotão, garantindo um lugar na penúltima linha da grelha. Contudo, o piloto natural de Almada foi penalizado em três posições por ter conduzido “de forma irresponsável”, já que o Colégio de Comissários do GP da Holanda considerou que seguiu “de forma lenta na linha de trajetória, prejudicando outro concorrente que seguia numa possível volta lançada”, e acabou por cair para o 20.º lugar do grid, o penúltimo do contingente.

Ainda assim, Oliveira tinha expectativas altas para a corrida deste domingo e mostrou isso mesmo nas redes sociais. Já depois de referir que estava “confiante” de que teria “um final feliz” apesar da penalização, o piloto português repetiu que estava “otimista” para o Grande Prémio da Holanda. No arranque, lá mais à frente, Rins conseguiu agarrar a liderança nas primeiras voltas mas caiu numa fase ainda inicial da corrida, deixando o primeiro lugar à mercê do rookie Quartararo, que era seguido de perto por Márquez. Lá atrás, Miguel Oliveira ia conquistando posições para se aproximar dos pontos, beneficiando não só do bom ritmo que conseguia impôr na KTM Tech 3 como também das quedas ao longo do pelotão (depois de Rins, também Rossi e Nakagami saíram de pista).

A luta pela liderança ficou reduzida a um grupo de três pilotos, entre Quartararo, Márquez e Viñales, com Dovizioso a não conseguir aproximar-se do ritmo dos três da frente. Com vários erros dos três candidatos à vitória — entre as dificuldades de Quartararo em segurar a Yamaha e as curvas demasiado largas dos outros dois pilotos –, acabou por ser Maverick Viñales a garantir a vitória no GP de Holanda, seguido por Márquez em segundo e o rookie francês a fechar o pódio.

Miguel Oliveira deixou para trás Karel Abraham e entrou diretamente nos pontos, numa corrida de escalada pela classificação que, tal como o português havia dito, acabou por ter um final feliz. O piloto da KTM Tech 3 terminou a corrida em 13.º — à frente de Francesco Bagnaia e Hafizh Syahrin — e conquistou três pontos na Holanda, pontuando pela quinta vez desde o início do Mundial. Miguel Oliveira é atualmente 17.º na classificação geral liderada por Marc Márquez, com 15 pontos.