Na indústria automóvel, a tradição manda que os construtores dependam tão pouco de fornecedores quanto possível. As peças produzidas fora podem ter custos unitários mais elevados, mas exigem investimentos iniciais muito menores, o que acaba por ser uma vantagem, pelo menos em algumas condições. A Tesla, como é seu hábito, apostou numa estratégia distinta, concentrando em si tudo o que considera importante, seja em termos de margens de lucro ou de independência tecnológica. É por isso que constrói os seus próprios bancos, chips, software, motores e baterias.

Os acumuladores que alimentam os três modelos da marca – bem como as baterias estacionárias tipo Powerwalls ou Powerpacks – têm até aqui sido desenvolvidos em conjunto com um parceiro técnico, os japoneses da Panasonic. O tipo de célula em causa são as cilíndricas 18650 e 21700 (exclusivas para o Model 3, de momento), todas elas com uma química NCA, de níquel-cobalto-alumínio, ao que se julga saber com uma relação 80%, 5% e 15%.

Porém, a Tesla comprou o melhor fabricante de ultracondensadores do mercado em Maio, a Maxwell, cuja tecnologia pode – e tudo indica que vai – ser utilizada para produzir um novo tipo de acumuladores mais eficientes, com maior densidade energética, mais baratas e com um maior número de ciclos, o que significa mais tempo de vida útil. E estas baterias já estão a ser produzidas e testadas numas instalações que a Tesla mantém secretas, segundo alguns ex-empregados.

O espaço em causa fica próximo da fábrica da Tesla em Freemont, na Califórnia, mais precisamente na Kato Road, um pequeno laboratório onde apenas um reduzido número de técnicos tem acesso e onde são desenvolvidas e testadas soluções que querem manter afastadas da imprensa e, sobretudo, dos concorrentes. Se juntarmos a tudo isto o facto de a Tesla ter reforçado os seus quadros com engenheiros ligados à concepção, equipamento e produção de células para baterias, é fácil imaginar o que vem aí – e que não passa pela Panasonic, nem pelo tipo de baterias actualmente a serem montadas nos modelos da marca.

A relação entre a Tesla e a Panasonic tem passado por um período menos bom, isto depois de o fabricante norte-americano ter permitido aos japoneses tornarem-se no maior produtor de baterias de iões de lítio para veículos eléctricos. Contudo, a necessidade de entrar no mercado chinês levou a Tesla a contratar um parceiro asiático para a sua Gigafactory 3, em Xangai (onde vai começar a fabricar em 2020 o Model 3 e o Model Y). Isto levou a Panasonic a anunciar um segundo “casamento” com a igualmente japonesa Toyota, em Janeiro, isto após a Tesla se queixar de falta de baterias para fabricar nos EUA os modelos que necessita, dado que a linha de produção foi concebida para 35 GWh/ano e tem dificuldades em ultrapassar os actuais 24 GWh.