Há anos que Elon Musk, o CEO da Tesla, diz acreditar que é possível montar motores eléctricos a bateria em praticamente todos os meios de transporte, “excepto em foguetões”. Em tempos, o sul-africano que gere e é o principal acionista da Tesla e da SpaceX afirmou mesmo que tinha um projecto para um aparelho voador com descolagem e aterragem vertical (VTOL) eléctrico, ainda que nunca o tenha revelado e, muito menos, anunciado uma data em que o pretendia colocar no mercado.

Contudo, a tecnologia ao serviço das baterias não pára de evoluir e o que ontem era impensável, por ser impossível, amanhã pode ser perfeitamente exequível. O problema está ao nível não dos motores eléctricos, mas sim das baterias. Ou melhor, ao nível da densidade energética dos acumuladores, ou seja, da quantidade de energia que conseguem armazenar por unidade de peso. Para serem viáveis na aviação, as baterias necessitam de ser mais leves do que actualmente, o que já esteve mais longe de se tornar numa realidade.

Esta semana, Musk recordou que “o combustível de avião, o Jet A (querosene), tem muito maior densidade energética do que as baterias de iões de lítio”, para lembrar de seguida que, em compensação, “os motores eléctricos pesam muito menos e convertem energia em movimento de forma muito mais eficiente do que os motores a combustão”. Isto leva o homem forte da Tesla a prever que, para um avião com VTOL, “as baterias conseguirão ser competitivas assim que atingirem uma densidade energética de 400 kWh”. Sucede que a Tesla (com a Panasonic), possui as baterias mais sofisticadas do mercado, mas ainda trabalha na casa dos 250 kWh. Com a aquisição da Maxwell está já a trabalhar para superar os 300 kWh, prevendo a companhia que vai ser possível chegar, muito em breve, aos 500 kWh.

Caso se confirme a possibilidade de fazer evoluir a densidade energética das baterias 37,5% nos próximos cinco anos – o que está longe de parecer um desafio inatingível –, não só a Tesla passaria a conseguir produzir automóveis mais leves e, ainda assim, capazes de percorrer maiores distâncias entre recargas, como teria os acumuladores para alimentar esta nova forma de aviação. Que já dá os primeiros passos, uma vez que já voam os primeiros aparelhos com motor eléctrico e muitos outros surgirão este ano. Um dos mais curiosos foi apresentado no Paris Air Show, com a promessa de quase 1.000 km de autonomia de voo. Pode vê-lo e saber mais detalhes deste projecto nos vídeos abaixo.