Chegou ao fim a prisão da capitã do navio humanitário “Sea Watch 3”. Uma juíza italiana decidiu esta terça-feira que Carola Rackete não violou a lei ao atracar sem autorização na ilha italiana de Lampedusa e ter desobedecido às ordens da polícia italiana. A informação foi avançada pela agência Reuters.

A juíza Alessandra Vella, que decidiu pela liberdade imediata de Rackete, refere que a alemã não cometeu nenhum ato de violência e que apenas estava a fazer o seu dever. No entanto, Carola Rackete pode ser ainda acusada de auxílio à imigração ilegal. 

Capitã do Sea Watch. “Foi um ato de desobediência, não de violência”

A alemã de 31 anos foi detida depois de entrar no porto de Lampedusa no sábado. Levava a bordo do navio humanitário 40 migrantes africanos. Quando entrou no porto, embateu ainda num barco da polícia marítima. Estava desde então em prisão domiciliária.

“A situação era desesperante, o meu objetivo era apenas trazer pessoas exaustas e desesperadas para o chão. Eu estava com medo”, explicou Rackete depois da detenção, que temia que os imigrantes se atirassem ao mar, o que acabaria por significar a sua morte uma vez que não sabiam nadar. “Certamente não queria tocar na vedeta da Guarda de Finanças (polícia aduaneira italiana, a minha intenção não era colocar ninguém em perigo, eu já me desculpei e peço desculpas novamente”, continuou.

O ministro do Interior alemão diz estar “indignado” com a decisão da juíza. Num vídeo publicado no Facebook, Matteo Salvini diz que “desobedecer às leis do estado, atacar e arriscar matar militares italianos” tem de valer prisão.

Disubbidire a leggi dello Stato, attaccare, speronare, rischiare di ammazzare militari Italiani non vale la galera.E questa sarebbe “giustizia”?Sono indignato, sono schifato ma non mi arrendo: restituiremo onore, orgoglio, benessere, speranza e dignità alla nostra Italia, costi quello che costi.

Posted by Matteo Salvini on Tuesday, July 2, 2019

Um navio que pesa centenas de toneladas tentou abalroar uma lancha da polícia com agentes a bordo, que conseguiram escapar e salvar as próprias vidas. É um ato criminoso, é um ato de guerra”, disse no sábado Salvini.

Entretanto, fonte do Ministério da Administração Interna confirmou ao Observador que cinco dos 53 migrantes salvos no Mar Mediterrâneo pelo navio Sea-Watch 3 vêm para Portugal.