“No início houve muito playing dumb das empresas, mas agora os municípios estão mais atentos.” O diretor geral da Circ (antiga Flash) em Portugal defendeu esta quarta-feira a necessidade de uma revisão dos critérios de qualidade para a entrada e permanência das empresas de trotinetes elétricas em Lisboa. Para Felix Petersen, a capital portuguesa tem atualmente “demasiadas trotinetes e demasiados operadores” e, por isso, “está na altura de não só rever os critérios de qualidade como de forçar o seu cumprimento”, uma vez que, nas suas palavras, nem sempre determinados aspetos são cumpridos por todos os operadores.

Na apresentação da mais recente campanha de promoção da empresa de micromobilidade alemã, o responsável da Circ referiu que há determinados padrões de qualidade de serviço que devem ser seguidos para facilitar a integração das trotinetes nas ruas. São eles a partilha de informação em tempo real com as autarquias; a obrigatoriedade de determinadas zonas proibidas de estacionamento (como a zona vermelha, no centro histórico de Lisboa) e o incentivo ao bom comportamento dos utilizadores; a manutenção qualificada destes aparelhos; a garantia de empregos reais (ao invés de “trabalhos precários”); a existência de um seguro de acidentes para proteger o utilizador e um serviço ao cliente a funcionar permanentemente.

Há uma lacuna entre pedir estas coisas e obrigar a que sejam cumpridas. Há duas formas na qual podemos fazer isto: podemos deixar toda a gente nas ruas e depois queixarmo-nos e esperar que as pessoas melhorem ou podemos apenas escolher os operadores que cumprem determinados critérios mínimos”, acrescentou o responsável da Circ em declarações aos jornalistas.

Felix Petersen elogiou o esforço do departamento de mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, que deu “um salto de fé” ao ser o primeiro município português a deixar entrar trotinetes elétricas e por liderar na micromobilidade em Portugal, mas referiu que “é tempo de aprender, rever e otimizar os critérios e forçá-los da melhor forma”. “Tivemos vários problemas em que em determinadas alturas éramos os únicos a cumprir o que foi estipulado no contrato e isso foi frustrante”, atirou, defendendo ainda a ideia de que devem existir consequências para as empresas que não cumpram o estipulado nos memorandos de entendimento em vigor nas cidades, como a proibição de operar nessas cidades.

O responsável da Circ deu o exemplo de alguns aspetos que, nas suas palavras, nem todas as empresas que estão na capital portuguesa cumpriram, como as zonas de estacionamento proibidas e a questão dos hotspots (locais de estacionamento), reforçando o exemplo de outras autarquias que colocaram regras e parâmetros mais duros à entrada destes veículos.

Em cerca de cinco meses, a Circ atingiu o marco de um milhão de viagens de trotinetes a nível global, assumindo-se como a aplicação de micromobilidade com mais downloads em Portugal. Em termos de empregos criados, a empresa assegura que tem entre 200 a 300 trabalhos reais. “E não estamos a falar de situações precárias”, assegurou Felix Petersen. Além disso, foi também divulgado que 70% do uso das trotinetes da Circ é de caráter doméstico e não turístico.

Sobre incidentes com as trotinetes, uma das críticas mais apontadas a esta forma de mobilidade, a empresa divulgou que existe um incidente a cada 1000 trotinetes, tratando-se de “pequenos incidentes” que são cobertos pelo seguro. “Temos uma política em que, em cada incidente, temos o nosso seguro que protege sempre o condutor”, assegura o responsável. Já relativamente às trotinetes apreendidas pela Polícia Municipal — e que já levaram a cerca de 17.145 euros cobrados a nível global em coimas entre fevereiro e junho — o responsável não divulga números, mas diz ser um número inferior de trotinetes em comparação com outras empresas.

Além da nova campanha, a Circ anunciou também esta quarta-feira a entrada em duas novas cidades portuguesas: Vila Nova de Gaia e Portimão. Assim, a empresa de micromobilidade passa a estar presente em onze cidades de Portugal, incluindo Faro, Lisboa, Coimbra, Maia, Almada, Cascais, Gondomar, Matosinhos e Figueira da Foz.

A empresa alemã tem como concorrentes em Portugal a Lime, a Voi, a Hive, a Tier, a Bungo, a Bird e a Frog. A partir desta terça-feira, a empresa tem também uma campanha de comunicação para “chamar a atenção à necessidade de evoluir e mudar mentalidades”, refere em comunicado.