As forças do marechal Khalifa Haftar, que mantém há três meses uma ofensiva para conquistar a capital líbia, negaram esta quarta-feira qualquer responsabilidade no ataque contra um centro de migrantes nos arredores de Tripoli, e que provocou 44 mortos.

A garantia foi dada pelo porta-voz de Haftar, Ahmad al-Mesmari, que acusa os rivais de “encenarem uma conspiração” para lhes atribuir a autoria do ataque.

Os Estados Unidos juntaram-se esta quarta-feira a outros países e a ONU, na condenação do ataque da noite de terça-feira em Tajoura e que terá vitimado pelo menos 44 migrantes e provocado mais de 100 feridos.

“Essas perdas trágicas e desnecessárias, que atingiram uma das populações mais vulneráveis, ressaltam a necessidade urgente de todas as partes líbias reduzirem a intensidade dos combates em Tripoli e retornarem a um processo político”, salientou num comunicado o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Morgan Ortagus.

O Governo de Acordo Nacional líbio, estabelecido em 2015 na capital líbia e reconhecido pela comunidade internacional (incluindo as Nações Unidas), atribui a autoria do ataque ao exército nacional líbio, de Haftar, o homem forte da fação que controla o leste da Líbia e que lançou em abril uma ofensiva contra Tripoli.

O Governo com sede em Tripoli já pediu à ONU que investigue este ataque que, segundo as agências internacionais, pode vir a desencadear uma maior pressão do Ocidente em relação a Khalifa Haftar.

Pelo menos 6.000 migrantes oriundos de países como Eritreia, Etiópia, Somália e Sudão estão detidos em dezenas de centros de detenção na Líbia, estruturas geridas por milícias locais frequentemente acusadas de tortura e de outros abusos. A maioria dos migrantes foram detidos pela guarda costeira da Líbia que conta com financiamento e treinamento europeus, quando tentavam atravessar o Mediterrâneo em direção à Europa.

Entretanto, as forças do marechal Haftar atacaram esta quarta-feira o aeroporto de Mitiga, o único em funcionamento na capital líbia, obrigando à suspensão dos voos. O ataque não causou danos ou mortos, disse à agência de notícias francesa AFP uma fonte de segurança no aeroporto.

O porta-voz do marechal Haftar, Ahmad al-Mesmari, no entanto, afirmou que “o centro de comando de ‘drones’ (aparelhos aéreos não-tripulados) em Mitiga” havia sido destruído durante o ataque.