Os médicos e enfermeiros cumprem nesta quarta-feira o segundo dia de greve, que está a causar fortes perturbações nos hospitais e centros de saúde de todo o país.

Os dois sindicatos médicos convocaram uma greve nacional para terça-feira e quarta-feira, sendo o primeiro dia agendado pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e o segundo marcado pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que também promove esta quarta-feira à tarde uma manifestação junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa.

Os enfermeiros, através do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), iniciaram na terça-feira de manhã quatro dias de greve, paralisação que se estende até o fim de sexta-feira.

A greve dos médicos iniciou-se às 00h00 de terça-feira e termina às 24h00 desta quarta-feira.

Num balanço feito à Lusa no final do primeiro dia de greve dos médicos, o SIM indicou uma adesão geral de 80%, de 85% nos blocos operatórios, com alguns registos de 100%, de 75% nas consultas externas e de 80% nos centros de saúde, igualmente com casos de participação total.

No caso dos enfermeiros, a adesão rondou os 75%, segundo o Sindepor.

Cada uma das classes profissionais tem reivindicações específicas, mas tanto médicos como enfermeiros argumentam que lutam pela dignidade da profissão e por um melhor Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Os médicos querem que todos os portugueses tenham médico de família, lutam pela redução das listas de utentes dos médicos e por mais tempo de consultas, querem a diminuição do serviço em urgência das 18 para as 12 horas, entre várias outras reivindicações, que passam também por reclamar que possam optar pela dedicação exclusiva ao serviço público.

[Veja no vídeo como é estar oito horas na pele de um enfermeiro]

No pré-aviso de greve, os médicos pedem ainda que seja negociada uma nova grelha salarial, que indicam que já devia ter ocorrido em janeiro de 2015.

Quanto aos enfermeiros, o Sindepor reclama o descongelamento das progressões de todos os enfermeiros, independentemente do vínculo ou da tipologia do contrato de trabalho e que sejam definidos os 35 anos de serviço e 57 de idade para o acesso à aposentação destes profissionais.

Exigem ainda que o Governo inclua medidas compensatórias do desgaste, risco e penosidade da profissão, assegurando as compensações resultantes do trabalho por turnos, defina condições de exercício para enfermeiros, enfermeiros especialistas e enfermeiros gestores que determinem a identificação do número de postos de trabalho nos mapas de pessoal e que garanta, no caso dos especialistas, uma quota não inferior a 40%.

Os enfermeiros exigem também que o Governo aplique corretamente a legislação e o pagamento do suplemento remuneratório a todos os enfermeiros especialistas em funções e equipare, sem discriminações, todos os vínculos de trabalho.

Estão decretados serviços mínimos, como sempre nas greves no setor da saúde, que incluem todos os serviços de urgência, cuidados intensivos e outros, como quimioterapia e algumas cirurgias.

A definição dos serviços mínimos na greve dos enfermeiros teve de ser submetida a tribunal arbitral, por desacordo quanto aos serviços a incluir.