Uma reportagem televisiva revelou que há milhares de cães a serem abatidos todos os anos na Irlanda por serem demasiado lentos para as corridas em que participam. O trabalho transmitido pela RTE indica que 5.987 galgos foram abatidos em 2017 por não conseguirem alcançar os tempos de qualificação para estas corridas ou porque o seu desempenho, independentemente do motivo, diminuiu.

Muitos destes cães, revela o documentário, foram abatidos em matadouros e uma empresa terá chegado a abater os cães em massa — uma prática que viola o regulamento que refere que apenas veterinários especializados podem abater os galgos. Além disso, haverá também o problema do doping: um veterinário referiu que tinha visto cães com tanta eritropoietina (EPO), a hormona responsável pela produção de células vermelhas no sangue, que “o seu sangue parecia mel”.

Através do relatório encomendado pela indústria em 2017 foi também revelado que estavam a ser criados muitos mais cães de corrida do que o necessário, levando ao abate de milhares de animais todos os anos. Entre as razões para o abate foram apresentados três motivos:

  • “Não conseguiram produzir os tempos de qualificação (2.673)”
  • “Falha em produzir tempos de entrada desejados (1.989)”
  • “Declínio inaceitável no desempenho (1.326)”.

A situação, conta o The Guardian, provocou pedidos de esclarecimentos de vários representantes deste setor e do Parlamento irlandês. Outra consequência está relacionada com a retirada de patrocínio a corridas por parte de duas empresas — a FBD Insurance e o Barry’s Tea. Estes agora antigos patrocinadores pediram ainda que fosse melhorado o bem-estar destes animais. A Barry’s Tea chegou a dizer que estava “triste e horrorizada” com as revelações “que levantaram preocupações relativamente ao tratamento dos cães dentro desta indústria na Irlanda”.

O Parlamento irlandês já ordenou que a Irish Greyhound Board, entidade responsável por estas corridas, seja ouvida numa Comissão Parlamentar na próxima semana, de forma a que sejam explicadas todas estas situações e para que seja pensada uma reforma no setor. A Irish Greyhound Board, por sua vez, afirmou que estes abusos eram feitos por uma “minoria irresponsável” dentro da indústria e que prometeu eliminá-los.

O IGB está agora organizado na implementação de novas garantias. O bem-estar dos galgos continua a ser uma prioridade para o IGB e vamos continuar a construir as reformas dentro deste setor que temos feito nos últimos anos”, referiu o Irish Greyhound Board em comunicado, acrescentando que “qualquer pessoa que faça mal um galgo envergonha a indústria”.

No mês passado, também várias instituições que defendem o bem-estar animal no Reino Unido voltaram a pedir o fim das corridas de galgos na Grã-Bretanha, uma atividade polémica e cujo debate se estende há vários anos em diversos países.

(Artigo atualizado esta quinta-feira às 17h35)