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Caso Lava Jato

Povo dirá quem está certo no escândalo sobre ilegalidades na Lava Jato, diz Bolsonaro

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Jair Bolsonaro disse que caberá ao povo brasileiro dizer quem está certo ou não no escândalo que colocou em causa a imparcialidade do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro.

Antonio Lacerda/EPA

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse esta sexta-feira que caberá ao povo dizer quem está certo ou não no escândalo que colocou em causa a imparcialidade do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e dos procuradores da operação Lava Jato.

Questionado pelos jornalistas sobre o caso, depois de o conteúdo de novas conversas entre o ex-juiz e os procuradores terem sido divulgados pela revista Veja, o Presidente brasileiro disse que irá assistir à final da Copa América de futebol, no domingo, no Rio de Janeiro, ao lado do ministro da Justiça em sinal de apoio.

“Pretendo domingo não só assistir à final do Brasil com o Peru, bem como, se for possível e a segurança me permitir, iremos ao gramado. O povo vai dizer se nós estamos certos ou não”, afirmou Bolsonaro.

A revista Veja noticiou esta sexta-feira que Moro terá atuado ilegalmente na operação Lava Jato porque pediu a inclusão de provas, criticou uma negociação de colaboração entre um réus e o Ministério Público Federal (MPF) e opinou nas investigações, quando ainda era juiz responsável por analisar os processos do caso em primeira instância.

Numa extensa reportagem, a revista diz ter verificado mais de 600 mil mensagens trocadas por elementos da força-tarefa da Lava Jato durante três anos em parceira com jornalistas do portal de investigação The Intercept.

Desde o dia 9 de junho que o The Intercept tem vindo a publicar – agora também em conjunto com outros orgãos de imprensa brasileiros – o conteúdo de mensagens que obteve de uma fonte anónima e que colocaram em causa a imparcialidade da operação Lava Jato, a maior investigação contra a corrupção do Brasil.

A Veja publica diálogos inéditos em que o chefe dos procuradores da Lava Jato, Deltan Dallagnol, terá dito à procuradora Laura Tesser que o então juiz Moro pediu a inclusão de provas sobre uma transação bancária realizada pelo ‘lobista’ Zwi Skornicki a favor de Eduardo Musa, ex-funcionário da Petrobras.

A conversa ocorreu através da aplicação Telegram e, segunda a Veja, indica uma provável violação cometida pelo ex-juiz Moro, já que ao pedir inclusão de informações num processo que ele iria posteriormente julgar fere as leis nacionais e o Código de Conduta da Magistratura.

Em defesa de Moro, o Ministério da Justiça do Brasil emitiu uma nota afirmando que a revista Veja não deu ao ministro acesso ao conteúdo das mensagens reportadas e, portanto, o governante não tem “como confirmar ou responder pelo conteúdo de suposta mensagem entre terceiros”.

Segundo a Veja, Moro também terá enviado mensagens a Dallagnol, no ano de 2017, perguntando sobre a negociação de um acordo de delação premiada [confissão de crimes em troca de redução da pena] entre o MPF e o ex-deputado Eduardo Cunha.

No diálogo exposto, Moro também terá manifestando claramente ser contrário ao acordo com Cunha e pediu para ser informado sobre o andamentos das conversas com advogados do réu.

Neste contexto, se for comprovada a tentativa de Moro de questionar e contrariar um procurador sobre uma negociação de acordo de colaboração premiada com Cunha também violaria a lei.

Cunha, ex-presidente da câmara baixa do Congresso brasileiro, foi o responsável pelo início do processo de destituição da ex-Presidente Dilma Rousseff.

Acusado de corrupção, Eduardo Cunha acabou também destituído do mandato parlamentar, condenado e preso por envolvimento nos crimes investigados pela Lava Jato.

Desde que as trocas de mensagens entre o ex-juiz e membros do MPF que atuam na Lava Jato foram tornadas públicas, os envolvidos têm repetido que sempre agiram conforme a lei e que não podem garantir a veracidade dos diálogos divulgados na imprensa brasileira.

Já o Intercept Brasil, o jornal Folha de S.Paulo, a revista Veja e o jornalista Reinaldo Azevedo, que trabalham em parceria para publicar o material, alegam que as mensagens são autênticas e devem ser publicadas porque descrevem factos relevantes.

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