Depois de, em abril, se ter sabido que a Amazon tinha funcionários dedicados a escutar o que os utilizadores dizem à Alexa, a assistente virtual desenvolvida pela empresa, a tecnológica de Jeff Bezos, veio agora admitir que a Alexa guarda as gravações e transcrições de todas as interações dos utilizadores — a não ser que sejam manualmente apagadas pelo próprio.

A revelação surge numa carta enviada pelo vice-presidente da Amazon com o pelouro das políticas públicas, Brian Huseman, ao senador norte-americano Chris Coons — que em maio enviou à empresa um pedido de esclarecimento sobre o destino dado às gravações da assistente virtual, na sequência de uma notícia do CNET que dava conta de que a Amazon guardava as transcrições de todas as interações da Alexa, mesmo após o utilizador apagar as gravações.

Na carta, Huseman escreveu que a Amazon pode “guardar as gravações de voz do cliente e as transcrições até o cliente escolher apagá-las”. Mas mesmo que o utilizador apague as gravações, a Amazon pode manter o registo das ações tomadas pela Alexa em resposta às ordens do utilizador.

O responsável da Amazon justificou a opção da empresa com a necessidade de treinar o software para funcionar cada vez melhor.

“Para funcionar bem, os sistemas de machine-learning têm de ser treinados com informações do mundo real. O discurso tem nuances, é dinâmico, e tem muitas variações com base na região, no dialecto, no contexto, no ambiente e no indivíduo. Treinar a Alexa com gravações de voz e transcrições de uma grande quantidade de clientes ajuda a assegurar que a Alexa funciona bem para toda a gente”, escreveu Huseman.

Depois de receber a carta da Amazon, Chris Coons falou ao CNET para dizer que “a resposta da Amazon deixa em aberto a possibilidade de as transcrições das interações dos utilizadores com a Alexa não serem apagadas de todos os servidores da Amazon, até depois de o utilizador ter apagado a gravação da sua voz”.