Foi um jogo desgastante em termos físicos, com um encontro que durou mais de quatro horas e que fechou um dia onde jogaram também Rafael Nadal e Roger Federer. Foi um jogo desgastante em termos mentais, com sucessivas quebras de serviço de ambas as partes e grande variação de resultados em todos os sets. Foi sobretudo um jogo que ficará para a história: aos 30 anos, João Sousa mostrou a melhor versão do Conquistador e qualificou-se pela primeira vez na carreira para os oitavos de Wimbledon, onde terá agora pela frente o espanhol que surge como terceiro cabeça de série do torneio.

“Há poucas palavras que possam descrever a minha felicidade. Foi um encontro quase épico. Um encontro incrível, com um ambiente impressionante, num ‘court’ completamente cheio. O público foi fantástico, provavelmente foi o ambiente mais impressionante em que já joguei”, disse o tenista após o encontro, adiantando ter vivido “uma experiência única” no renovado ‘court’ 1 de All England Club.

“Estou naturalmente muito orgulhoso por ter vencido este encontro. Foi muito exigente, tanto a nível físico como mental, e com o público a puxar por ele, como é natural. Estive várias vezes por baixo, mas consegui dar a volta e acreditei sempre que podia vencer. Houve momentos muito bons, alguns não tão bons, mas no geral acho que joguei a um grande nível”, defendeu aquele que vai agora defrontar Rafael Nadal, número dois mundial, na próxima ronda.

Depois da derrota por 6-4 num primeiro set onde Daniel Evans fez prevalecer o break alcançado logo no início da partida, o português conseguiu alterar o rumo do encontro logo no parcial seguinte com uma quebra do serviço do inglês que se viria a revelar determinante para o triunfo por 6-4 que igualou as contas nesta terceira eliminatória com a mesma duração (48 minutos). No set seguinte, o mais disputado até então, Sousa voltou a conseguir sair por cima com um break na altura certa que lhe deu a vitória por 7-5, antes do britânico levar todas as decisões para o quinto e último parcial com novo 6-4. No quinto e decisivo set, Sousa começou pior, recuperou e fechou da melhor forma aquele que foi um dos maiores triunfos da carreira (6-4).

De recordar que, além das quatro participações nos últimos seis anos em que ficou sempre na primeira ronda (2014, 2015, 2017 e 2018), João Sousa tinha como melhor resultado (pessoal e nacional) em Wimbledon a presença na terceira ronda em 2016, quando derrotou o russo Dmitry Tursunov (3-6, 7-6, 4-6, 6-3 e 7-5) e o americano Dennis Novikov (6-4, 6-4, 3-6 e 6-4) antes de perder de seguida com o checo Jiri Vesely por 6-2, 6-2 e 7-5. Este ano, o vimaranense começou por derrotar o inglês Paul Jubb por 6-0, 6-3, 6-7 e 6-1, ganhando de seguida ao 13.º cabeça de série de Wimbledon, o croata Marin Cilic, por 6-4, 6-4 e 6-4.

O português terá agora pela frente nos oitavos-de-final o terceiro cabeça de série no All England Club, o espanhol Rafael Nadal, que este sábado venceu o francês Jean-Wilfried Tsonga por 6-2, 6-3 e 6-2. Antes, o vencedor do torneio em 2008 e 2010 ganhou ao japonês Yiuchi Sugita (6-3, 6-1 e 6-3) e ao australiano Nick Kyrgios por 6-3, 3-6 e 7-6 e 7-6.

“A verdade é que tanto eu como a minha equipa técnica estamos orgulhosos por fazer um bocadinho parte da história de Portugal”, confessou o jogador treinado por Frederico Marques, que se tornou no primeiro português a marcar presença na quarta ronda de Wimbledon.