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Israel pede “sanções imediatas” ao Irão assim que for quebrado acordo do nuclear

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O primeiro-ministro de Israel pediu às potências mundiais que apliquem "sanções imediatas" ao Irão assim que for ultrapassado o nível de enriquecimento de urânio previsto pelo acordo nuclear.

Para Benjamin Netanyahu, o enriquecimento de urânio acima do limitado no acordo de 2015 só pode ter como objetivo a criação de bombas atómicas

Oded Balilty / POOL/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O primeiro-ministro de Israel pediu este domingo às potências mundiais que apliquem “sanções imediatas” ao Irão assim que for ultrapassado o nível de enriquecimento de urânio previsto pelo acordo nuclear, o que o país anunciou que aconteceria nas próximas horas.

Para Benjamin Netanyahu, o enriquecimento de urânio acima do limitado no acordo de 2015 só pode ter como objetivo a criação de bombas atómicas, pelo que os líderes ocidentais devem cumprir o combinado e impor sanções ao Irão “no preciso momento” em que os valores acordados forem ultrapassados.

O Irão confirmou este domingo que começará “nas próximas horas” a enriquecer urânio a um nível proibido pelo acordo nuclear de 2015, referindo que só falta acertar alguns detalhes técnicos.

O acordo do nuclear não permite que o Irão ultrapasse o nível de 3,67% no enriquecimento de urânio.

A Agência Internacional de Energia Atómica garantiu este domingo que está a monitorizar o nível do enriquecimento de urânio pelo Irão e avisará a sua sede, em Viena, “assim que se verificar o desenvolvimento anunciado”.

O acordo do nuclear foi assinado em Viena, em 2015, entre o Irão e seis grandes potências mundiais (França, Reino Unido, Alemanha, China, Rússia e Estados Unidos), após 12 anos de crise à volta do programa nuclear iraniano.

Segundo o documento, o Irão compromete-se a não se dotar de bomba atómica e a limitar drasticamente as suas atividades nucleares em troca do levantamento de sanções internacionais que asfixiavam a sua economia.

Em maio de 2018, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retirar-se unilateralmente do acordo e restabelecer sanções ao Irão, incluindo no setor petrolífero.

Trump justificou a saída deste pacto ao acusar o Irão de nunca ter renunciado a dotar-se de uma arma atómica (enquanto Teerão sempre desmentiu esta acusação) e de ser a origem de todos os problemas no Médio Oriente.

As novas sanções dos EUA provocaram uma fuga das empresas estrangeiras do Irão, que tinham regressado após o acordo, fazendo cair a economia iraniana numa grave recessão.

Um ano depois, o Irão, considerando que tinha sido muito paciente, mas que os restantes signatários não tinham tomado qualquer medida face à decisão dos EUA, resolveu quebrar o compromisso e anunciou que iria voltar a investir no enriquecimento de urânio.

Este domingo, em conferência de imprensa, o porta-voz da Organização de Energia Atómica do Irão, Behruz Kamalvandí e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, anunciaram que o nível de enriquecimento de urânio será ultrapassado “nas próximas horas”

“Em poucas horas, o trabalho técnico será concluído e o processo de enriquecimento será superior a 3,67%”, afirmou Kamalvandí, acrescentando que, para já, o enriquecimento “chegará aos 5%”, o necessário “para o fornecimento de combustível às fábricas elétricas do país”.

Teerão ameaçou ainda livrar-se de outras obrigações em matéria nuclear nos próximos “60 dias”, a menos que uma outra solução seja encontrada, com os seus parceiros do acordo sobre o programa nuclear iraniano, para responder às suas exigências.

“Nós esperamos que possamos encontrar outra solução, caso contrário, daqui a 60 dias iniciaremos a terceira etapa” do plano de redução dos compromissos assumidos pelo Irão relativamente a este acordo, concluído em Viena, em 2015, declarou à imprensa Abbas Araghchi.

O enriquecimento de urânio pelo Irão é fortemente contestado pela comunidade internacional, nomeadamente pelos EUA, União Europeia, China e Rússia.

A Agência Internacional de Energia Atómica (AEIA) anunciou que uma reunião extraordinária terá lugar em 10 de julho, a pedido dos EUA, para analisar as revogações ao acordo anunciadas pelo Irão.

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