O facto de João Sousa ser português teve alguma influência na forma como a imprensa espanhola foi lançando o encontro de Rafa Nadal nestes oitavos de Wimbledon mas o destaque ao vimaranense não estava apenas circunscrito à nacionalidade. Bem longe disso. O ABC recordava o facto de ter sido treinado por Francis Roig, atual treinador do espanhol, na Academia BTT, para onde se mudou com apenas 15 anos – acrescentando que, além de ser capaz de se expressar em seis idiomas, era descrito como um “bom estudante”. O Mundo Deportivo salientava mesmo a amizade entre ambos os jogadores, dois dos nove com mais de 30 anos que chegaram aos oitavos de Wimbledon este ano, e o interesse de José Mourinho. “Sabe tudo do seu adversário”, resumia a Marca. No meio das antevisões, sobravam elogios do próprio número 2 do mundo ao português.

“O João, quando tem uma dinâmica positiva de ganhar jogos, é perigoso. Move-se muito rápido e tem golpes planos que funcionam nem na relva. É muito agressivo nas suas pancadas e vai a todas as bolas sem desistir. Vi outro dia o seu jogo contra o Cilic e este incrível”, comentou Rafa Nadal na antecâmara do encontro no Court Central do All England Club em dia de “Manic Monday” onde todos os 32 tenistas ainda em prova entram em campo nos quadros masculino e feminino. “O mais importante de tudo passa por acreditar que é possível a 100%”, destacava o técnico do português, Frederico Marques. Sobretudo no terceiro set, Sousa acreditou mas o espanhol não deu qualquer hipótese rumo aos quartos-de-final.

Depois de uma entrada em falso com dois breaks sofridos e uma desvantagem madrugadora de 4-0 com erros não forçados à mistura, João Sousa conseguiu estabilizar um pouco mais o seu jogo, segurando os dois encontros de serviço seguintes para um 6-2 no final do primeiro set em pouco menos de meia hora (29′). No segundo parcial, o filme repetiu-se apesar de uma maior réplica do português ao longo dos jogos e Nadal fechou em branco no seu serviço o 6-2 em 38 minutos. No terceiro e último set, onde o português teve os melhores pontos do encontro, o espanhol fechou com mais um 6-2.

Ainda assim, João Sousa fez história não só em Wimbledon mas também em Grand Slams: além de ter chegado pela primeira vez à segunda semana do torneio inglês, depois de ter vencido Paul Jubb, Marin Cilic e Daniel Evans, o português igualou o melhor resultado de sempre num dos quatro Majors, depois de ter atingido a quarta ronda do US Open do ano passado.

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