A vitória de Portugal no desempate nas grandes penalidades depois do empate no encontro frente à Argentina foi positivo mas, na verdade, só poderia servir para dar vantagem à Seleção Nacional numa conjugação um pouco mais complicada onde teria de haver uma igualdade no final da última jornada nos pontos e nos golos. Assim, o conjunto de Renato Garrido, a entrar primeiro no rinque nesta derradeira ronda do grupo B, tinha um único objetivo: ganhar com o maior número de golos possível. No final, Portugal fechou o encontro com uma goleada frente ao Chile por 9-4, ainda assim insuficiente para garantir a liderança do grupo B depois da vitória folgada da Argentina diante da Colômbia esta noite (7-1).

Depois de um arranque onde a pressa de inaugurar o marcador acabou por ser má conselheira, e onde o Chile até conseguiu ir saindo da pressão mais alta de Portugal com alguma qualidade (Nelson Filipe evitou mesmo o golo de Nico Rodríguez), um remate de meia distância de Jorge Silva acabou por abrir em definitivo o encontro a dez minutos do intervalo. A resistência dos sul-americanos estava de vez quebrada e, depois de mais um desconto de tempo para cada uma das formações, João Rodrigues, único português a atuar no estrangeiro, encostou da melhor forma após assistência de Rafa para o 2-0 aos 21′.

Portugal estava melhor e tinha entrado em definitivo na zona pretendida, a insistir na meia pista dos chilenos e a criar sucessivas oportunidades que iram sendo travadas por Felipe Quintanilla, mas bastou uma distração no setor recuado para o Chile conseguir mesmo reduzir a desvantagem por Marc Figa (24′). Dentro do último minuto antes do intervalo, Hélder Nunes, de novo a explorar a boa meia distância, atirou cruzado para o 3-1 com que se atingiria o final dos 25 minutos iniciais.

No segundo tempo, Renato Garrido quis alterar a entrada da equipa em campo e a Seleção Nacional correspondeu, com dois golos de rajada de Hélder Nunes no seguimento de um livre direto após cartão azul a Nico Fernández e de uma jogada coletiva com passe decisivo de Jorge Silva antes do remate final (28′). Também no seguimento de um livre direto após cartão azul a Jorge Silva, Nico Fernández reduziu para 5-2 (31′) mas um tiro fortíssimo de Gonçalo Alves voltou a colocar Portugal por cima no jogo (36′), bisando na partida apenas dois minutos depois. Hélder Nunes, a cinco minutos do final, aumentou para 8-2 e completou o póquer no jogo antes do caso do jogo com azuis a Jorge Silva e Renato Garrido, neste caso por protestos, que deu a Felipe Márquez a possibilidade de fazer o 8-3 de livre direto já com Ângelo Girão na baliza antes de Rafa aumentar para 9-3 em underplay (46′) e Márquez bisar para o 9-4 final numa altura em que as duas equipas já estavam ambas com cinco jogadores (47′).

Esta noite, e conhecendo já o resultado de Portugal, a Argentina goleou também a Colômbia e por uma margem que lhe permitiu assegurar o primeiro lugar do grupo B, fugindo assim no plano teórico ao cruzamento com a Espanha nas meias-finais. Carlos Nicolia (Benfica), Reinaldo Garcia (FC Porto) e Pablo Alvarez (Barcelona) bisaram no triunfo por 7-1. No grupo A, e depois da surpreendente vitória da França frente à Itália por 4-2, a Espanha fechou o grupo A só com vitórias após derrotar Angola (6-2).

Desta forma, são já conhecidos dois dos quatro jogos dos quartos do Campeonato do Mundo: Portugal vai defrontar a Itália, que terminou a fase de grupos no terceiro lugar após perder com Espanha e França, ao passo que a França terá pela frente o Chile. Já a Espanha irá encontrar o vencedor do jogo entre Colômbia e Suíça, enquanto a Argentina aguarda o desfecho da partida entre Angola e Moçambique. Em caso de triunfo nos quartos, Portugal cruza com o vencedor do Espanha-Colômbia/Suíça.