O verão de 2017 provocou um terramoto no futebol mundial que ainda hoje consegue ir alimentando as suas réplicas – e valores como os 126 milhões de euros pagos pelo Atl. Madrid por João Félix ou os 120 milhões que o Barcelona prepara para libertar por Griezmann são apenas os mais recentes exemplos de como tudo mudou desde que Neymar saiu da Catalunha para o PSG a troco de 222 milhões com cheque datado e pagamento a pronto. Mas houve outro paradigma que mudou a partir desse dia: por mais delicada que uma operação possa parecer, nada é impossível. E o brasileiro volta a agora a ser protagonista nessa novela.

Dois anos depois de ter abraçado uma nova realidade que lhe rendeu muitos milhões mas que o colocou de lado desportivamente pelo insucesso em termos europeus dos parisienses e pelas lesões que lhe retiraram meses de competição em cada uma das épocas em França, o avançado deu início esta semana à parte II de uma novela que se promete arrastar ao longo das próximas semanas e que tem em vista um regresso ao passado em Barcelona quase que assumindo a opção errada que tomou em 2017. O UOL fala mesmo em mais do que uma conversa telefónica entre Neymar e Leonardo, diretor desportivo que substituiu Antero Henrique, onde o brasileiro manifestou essa vontade de sair, algo que já teria confidenciado aos compatriotas Thiago Silva e Marquinhos. Ao Le Parisien, Leonardo também foi frontal – e sem rodeios assumiu essa possibilidade de saída.

“Não apareceu na reapresentação, devia ter chegado mas não chegou. Mas ele sabia que deveria estar aqui. Agora vamos estudar as medidas que podem ser tomadas como qualquer empregado. Explicação? Marcou compromissos com o seu Instituto e com os seus patrocinadores mas não eram essas as datas combinadas. Não sei quando volta. Está tudo claro para toda a gente mas no futebol o que se diz hoje pode ser diferente amanhã… Não quero contar os detalhes da conversa mas falámos com staff dele também, toda a gente sabe. A posição está clara para todos os envolvidos, sendo que existe hoje uma coisa concreta: ele tem mais três anos de contrato connosco. Propostas? Recebemos contactos muito superficiais”, assumiu.

É neste contexto que está lançada a parte II de uma novela que no final poderá “devolver” Neymar ao Barcelona com uma outra curiosidade: de acordo com os valores avançados pela imprensa gaulesa para uma venda do brasileiro, esta poderá ser a segunda maior transferência de sempre superando os 180 milhões de euros de Mbappé… ou mesmo a maior, caso ultrapasse os 222 milhões num modelo de acordo que fixe um valor base e tenha depois outras cláusulas por objetivos. Protagonistas na história, são muitos. E a Marca coloca-os em três grandes grupos extra o próprio ator principal.

Neymar saiu, a cumplicidade ficou: ainda hoje brasileiro tem um grupo no WhatsApp com Messi e Suárez (HECTOR RETAMAL/AFP/Getty Images)

Do lado do PSG, há quatro nomes que interessa reter e que terão a sua palavra no desenrolar dos acontecimentos, em maior ou menor proporção. Segundo a publicação, a chave da “luz verde” virá daquele que foi também o maior entusiasta da contratação do brasileiro ao Barcelona em 2017: Tamim bin Hamad Al-Thani, presidente do Qatar Sports Investments, que olhava para Neymar como o modelo perfeito da imagem moderna que o Qatar queria passar mas que começa agora a assumir pela primeira vez que esse projeto acabou por não ter o sucesso que gostaria. Já Nasser Al-Khelaïfi, o braço direito que Al-Thani que lidera o PSG, parece ter tomado uma decisão de forma convicta e, não podendo ter duas das suas maiores estrelas, coloca as fichas todas em – sendo que episódios como a contratação de De Jong azedaram um pouco a relação com o Barça. Por fim, Leonardo e o treinador Thomas Tuchel. Que, basicamente, acatam qualquer decisão e estão mais preocupados com as caras novas.

Já na perspetiva do Barcelona, surgem nesta possível contratação seis nomes à mistura incluindo o de Lionel Messi, com quem o avançado tem um grupo no WhatsApp com Luis Suárez (e também Piqué mantém uma relação próxima com o brasileiro, que mesmo depois de uma saída atribulada que envolveu pelo meio um momento de tensão com Nelson Semedo num treino). Josep Maria Bartomeu, presidente dos blaugrana, percebe que pisa terrenos complicados em termos internos depois da demissão por desavenças de ideias de Jordi Mestre, o seu vice para a área desportiva, e está disposto a dotar o clube de armas para ganhar tudo em termos internos e europeus – não só no futebol mas também no basquetebol, como se percebe na contratação de Mirotic depois de cinco anos na NBA. Com isso, um protagonista secundário terá de assumir um papel de maior importância: Óscar Grau, CEO do Barcelona, que depois das transferências de De Jong, Neto e Griezmann (ainda não confirmada) terá de adequar a parte das receitas e dos salários ao investimento que será feito. Eric Abidal, atual secretário técnico, é visto como um “pacificador” na relação entre PSG e espanhóis. E ainda há Ernesto Valverde, treinador que lamentou a saída de Neymar em 2017 pelo relevo que tinha na equipa e no balneário mas que terá agora “Quatro Magníficos” para três posições no ataque, e Pep Segura, que ocupou a vice-presidência desportiva e estava mais lançado na concretização de um ‘9’ puro do que Neymar.

Por fim, a “equipa Neymar”. Que é mesmo uma equipa e logo à cabeça com uma figura longe de ser consensual: o pai, Neymar Sr., que nunca gerou muita confiança nem em Camp Nou nem no Parque dos Príncipes pelos constantes pedidos e exigências mas que está disposto a tudo para fazer a vontade ao filho; o agente, Pini Zahavi, israelita já muito conhecido pelas manobras que consegue fazer nos bastidores dos grandes negócios, que domina o mercado inglês mas que nunca fez uma transferência desta envergadura para o Barcelona; Andy Cury, um intermediário muito próximo do jogador e que tem uma estreita ligação com figuras do Barcelona, tendo mesmo sido uma das chaves para o avançado ir do Santos para a Catalunha e não para Madrid; e Álvaro Costa, também ele agente, um dos melhores amigos de Neymar e que começou recentemente a trabalhar com Zahavi, depois de trabalhar muitos anos com a Nike de Espanha – que lhe valeu muitas amizades dos blaugrana.