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Benfica

A casa de Jonas abriu portas aos miúdos mas foi Chiquinho que viu a janela de oportunidade (a crónica do Benfica-Anderlecht)

Durante dez minutos, o jogo foi Jonas, com Jonas, para Jonas. Depois, o brasileiro saiu, Anderlecht chegou à vantagem, Nuno Tavares deu o exemplo e Chiquinho aproveitou a chance na derrota por 2-1.

Chiquinho entrou na segunda parte, atirou uma bola ao poste e marcou o único golo do Benfica na derrota com o Anderlecht

Filipe Amorim / Global Imagens

Pode ter sido propositado, pode ter sido uma mera casualidade, mas a entrada de Tiago Dantas na saída de Jonas quando havia pouco mais de dez minutos deste jogo de apresentação do Benfica aos associados acaba por ser uma imagem que resume as mil palavras que se poderiam utilizar para descrever o que é hoje o projeto futebolístico comandado por Bruno Lage: ter uma base sólida na equipa que interprete da melhor forma os princípios de jogo, com esteios como André Almeida, Dias-Ferro, Grimaldo, Samaris, Pizzi ou Rafa, e ir lançando mais jovens da formação que possam conjugar talento e oportunidade para se começarem a ficar na formação principal. Mesmo numa altura de pré-temporada, esse é o plano dos campeões nacionais.

Tiago Dantas é talvez o melhor exemplo desse projeto que vai dando frutos nascido no Seixal, tendo sido capitão nas várias equipas em que foi passando nos encarnados desde os infantis. Logo ele que algumas vezes chegou a ser apanha bolas nos jogos dos seniores onde Jonas celebrava golos ali a um par de metros. Mas também houve Nuno Tavares, o melhor entre os mais novos neste primeiro ensaio, David Tavares, João Ferreira, Pedro Álvaro e o regressado Nuno Santos. Muita juventude a quem o jogo com o Anderlecht abriu portas enquanto um jogador em específico viu uma janela de oportunidade: Chiquinho, médio ofensivo que regressou após passagem pelo Moreirense e que deixou boas indicações além do golo marcado na derrota por 2-1.

Durante dez minutos, o Benfica-Anderlecht foi tudo menos um jogo de futebol. Ou melhor, tinha 11 jogadores de cada lado, duas balizas e um árbitro mas apenas uma interação interessava: a de Jonas com a bola. O brasileiro ainda ficou a olhar para Fábio Veríssimo num lance na área dos belgas, ainda tentou um pique onde foi superado pelos defesas contrários, ainda andou a pisar terrenos um bocado mais fora do habitat natural que a partir de agora vai sentir a sua saudade mas aquilo para o qual dez estavam a jogar e 11 tentavam evitar não aconteceu mesmo e, aos dez minutos, o brasileiro deu o lugar ao jovem médio ofensivo Tiago Dantas sem o golo que seria o final perfeito de uma história que em muitos capítulos roçou a perfeição.

A partir daí, começou realmente “o” jogo. E que teve duas fases quase opostas no lado do Benfica: numa primeira instância, os encarnados conseguiram jogar melhor na ligação entre o meio-campo e o ataque, tiveram um remate com perigo do reforço Caio Lucas de fora da área (14′) e uma tentativa de Raúl de Tomás de muito, muito longe que podia ter valido o melhor golo da época logo no encontro inicial de pré-temporada (16′); depois, os comandados de Bruno Lage caíram, deixaram de conseguir controlar o corredor central como tinham vindo a fazer e acabaram por sentir outras dificuldades no último terço – aqui já com Tiago Dantas mais encostado à direita e Taarabt a pisar terrenos mais próximos da referência Raúl de Tomás.

Jérémy Doku, um extremo belga com raízes ganesas de apenas 17 anos que é um sério candidato à próxima grande transferência de um wonder kid na Europa, foi o fator de desequilíbrio sobretudo nos últimos 20 minutos antes do intervalo, fazendo jus às boas referências que tinha deixado nas partidas realizadas na última época e deixando Grimaldo em constantes sobressaltos num corredor esquerdo dos encarnados demasiado permeável às ofensivas do Anderlecht. Depois, apareceu a eficácia: primeiro foi Vlap a desviar na área após jogada de Doku que falhou a tentativa de trivela mas acabou por fazer uma assistência (34′); a seguir Thelin, a marcar de cabeça na sequência de um canto onde a defesa das águias voltou a falhar (40′).

No reatamento, e com apenas Salvio a manter lugar na equipa e como lateral direito – fica agora essa curiosidade de perceber se o argentino será mesmo aposta para a posição com André Almeida e Ebuehi –, o Benfica conseguiu ter outro tipo de solidez na parte defensiva e nas transições mas demorou ainda assim a arrancar os motores na parte atacante, vivendo muito das arrancadas de Jota pela esquerda, um dos melhores no início da segunda parte. Cádiz, avançado contratado ao V. Setúbal, ganhou o primeiro prémio de azarado da noite ao sair com um problema muscular 12 minutos depois da estreia; Chiquinho, médio ofensivo que voltou às águias após passagem pelo Moreirense, conseguiu o segundo prémio da mesma categoria ao fazer o mais difícil e acertar no poste quando estava isolado na área antes de ver também a recarga ficar sem sucesso (65′).

Não foi à primeira, foi à segunda. A partir do momento em que Pizzi começou a agarrar mais no jogo e as dinâmicas pelas laterais melhoraram, o Benfica conseguiu colocar-se como queria na partida, quebrou a capacidade de saída do Anderlecht e conseguiu mesmo reduzir a desvantagem por intermédio de Chiquinho (68′), a surgir isolado na área para o desvio ao primeiro toque depois de um bom cruzamento do lateral esquerdo Nuno Tavares (um jogador que não demorará a fixar-se no plantel principal como alternativa número 1 a Grimaldo). E o empate até andou perto da baliza dos belgas, quando Rúben Dias isolou de primeiro Haris Seferovic nas costas da defesa contrária mas o remate acabou por sair um pouco ao lado (77′).

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