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Nações Unidas

Relatório alerta para falta de ambição dos governos e da ONU no combate a alterações climáticas e desigualdades

A ONU disse que a resposta para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030 não está a ser "suficientemente ambiciosa". Guterres quer resposta mais "profunda, rápida e ambiciosa".

No entanto, é possível ver progressos em áreas como a redução da pobreza extrema ou a descida da mortalidade infantil

António Silva/LUSA

A ONU alertou na terça-feira que a resposta internacional para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030 não está a ser “suficientemente ambiciosa” e destacou que ainda há muito para fazer para combater as alterações climáticas e reduzir desigualdades.

O alerta surge num relatório apresentado na terça-feira na inauguração do Fórum Político de Alto Nível da Organização das Nações Unidas (ONU), onde cerca de 2.000 participantes vão discutir até 18 de julho, em Nova Iorque, os avanços e desafios para atingir os 17 objetivos que a organização internacional definiu em 2015, adiantou a agência espanhola, Efe.

Em comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “é evidente que é necessário uma resposta muito mais profunda, rápida e ambiciosa para provocar a transformação social e económica imprescindível para alcançar” os objetivos para 2030.

“O relógio para tomar ações decisivas está a contar. Este relatório apela a todos os governos a aumentar os esforços para a aplicação” das medidas necessárias, disse o secretário-geral adjunto de Assuntos Económicos e Sociais, Liu Zhenmin, durante a apresentação do texto aos meios de comunicação social.

O texto destaca os progressos em algumas áreas, como a redução da pobreza extrema, o aumento da imunização, a descida da mortalidade infantil e o acesso à eletricidade, mas aborda vários temas, como as alterações climáticas e as desigualdades, que “requerem atenção urgente e um progresso mais rápido”.

Para Liu, as “alterações climáticas continuam a ser o maior obstáculo para o progresso”, já que tem consequências diretas sobre outros objetivos, como a agricultura e o combate à fome.

Alertou ainda que se continuar a aumentar a acidificação dos oceanos, a erosão costeira, as condições meteorológicas extremas, a degradação dos solos ou o colapso dos ecossistemas “os efeitos combinados serão catastróficos e irreversíveis”.

António Guterres, por seu lado, destacou os avanços na proteção do meio ambiente e recordou que desde 2010 duplicaram as zonas marinhas protegidas e ações concertadas contra a pesca ilegal, para lá do marco do Acordo de Paris sobre alterações climáticas, assinado em 2016 por cerca de 150 países.

Os progressos “geram grande otimismo para a próxima década”, disse Guterres, que acrescentou que o relatório “identifica muitas áreas que precisam de atenção coletiva urgente”.

As Nações Unidas reúnem-se anualmente para avaliar os progressos e obstáculos para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável até 2030.

No encontro deste ano, celebrado sob o tema “Dar poder às pessoas e garantir a inclusão e igualdade”, a ênfase foi colocada em seis pontos: educação de qualidade, trabalho decente e crescimento económico, redução da desigualdade, ação pelo clima, paz, justiça e instituições sólidas e alianças para alcançar os objetivos.

Ainda que o relatório mostre uma redução considerável da pobreza extrema, que a taxa de mortalidade infantil até aos cinco anos tenha caído 49% ou que entre 2000 e 2017 as vacinas tenham salvado milhões de vidas, a incidência destes problemas regista-se nas regiões mais pobres, o que levou Liu a alertar que “muitas pessoas estão a ser deixadas para trás” e que o mundo continua a ser “muito desigual”.

O texto da ONU aponta que a luta contra as alterações climáticas pode favorecer a redução da pobreza e das desigualdades.

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