Os jogadores, o staff, a equipa técnica, o treinador principal e ele. Ele que chegou como apenas ele e subiu a Ele em cinco anos na Luz. Esta noite, mais do que a apresentação do Benfica, era a despedida de Jonas. E o próprio avançado, célere a enfrentar e superar os adversários ao longo de tantas temporasas seguidas, não conseguiu fintar o turbilhão de emoções que viveu nesta última vez em que viu milhares de adeptos a fazerem a vénia enquanto iam gritando “Joooooonas, Jooooonas”.

Primeiro, vieram os sorrisos; depois, as lágrimas. Se Jonas mostrou o seu orgulho na primeira grande reação da noite na Luz quando entrou em campo e chegou ao palco com um sentido abraço a Bruno Lage pelo meio (antes, Pizzi, Seferovic e Rafa tinham sido os mais ovacionados), não controlou as emoções e voltou a chorar como tinha acontecido na última jornada do Campeonato com o Santa Clara, desta vez após ter recebido de Luís Fiipe Vieira, presidente dos encarnados, um pequeno troféu que simbolizou o momento enquadrado com os troféus que ganhou em cinco anos de águia ao peito. Seguiu-se um filme de três minutos e até os guarda-redes do Anderlecht, já em aquecimento, pararam no relvado a assistir.

“Olá família benfiquista. Como todos sabem, estou encerrando a minha carreira de jogador profissional de futebol e, consequentemente, a minha passagem por este glorioso clube. Alguns motivos levaram-me a tomar esta decisão, dos quais estou muito seguro e tranquilo. Entre eles está o meu estado físico atual que me impossibilitaria de continuar a jogar ao mais alto nível desportivo”, começou por assumiu o número 10, a propósito dos motivos para pendurar as chuteiras aos 35 anos.

“A minha história neste clube é composta por cinco anos de muita alegria, muitas conquistas e da noção de passar a fazer parte da família benfiquista. Saibam que isso muito me orgulha. Em 2014, após recusar outras propostas de outros clubes de outros países, lembro-me de como se fosse hoje da chegada ao glorioso. Na bagagem estava uma vontade de dar o meu melhor e fazer história com esta camisola. Graças a Deus e aos meus companheiros, a partir da primeira época tive oportunidade de colocar em prática todos os meus objetivos. Recordo-me das vitórias, dos títulos, dos golos, da amizade, do respeito, do companheirismo. Esta bonita história ainda está a existir pois nada será capaz de apagar os momentos bonitos que compõem a minha história”, prosseguiu, com imagens de fundo entre capas de jornais, golos e festejos no campo e no balneário.

“Por fim, quero agradecer ao senhor presidente, aos treinadores com quem tive a honra de trabalhar, aos companheiros, aos funcionários do clube, à minha família e em especial a vocês adeptos, que sempre me apoiaram de forma incondicional. A todos vocês, que fazem parte da minha vida e da minha história, o meu agradecimento neste momento que jamais pode ser visto como um adeus. Até porque o meu coração estará sempre convosco. O melhor é dizer que é apenas um até breve. Carrega Benfica”, concluiu, antes de fechar esta primeira fase da homenagem de novo com lágrimas nos olhos.

No aquecimento, o último aquecimento na Luz, a vontade de marcar era evidente. Com o pé direito, com o pé esquerdo, com o pé que estivesse mais a jeito, tudo servia para visar a baliza dos guarda-redes encarnados. Se fosse um qualquer encontro do Campeonato, era inevitável pensar que dali iria surgir mais tarde ou mais cedo o golo. Mas as coisas não são como eram e, ao longo dos dez minutos em que esteve em campo com a braçadeira de capitão, percebeu-se que Jonas já não faz o que fazia. A Luz, essa, parou naquilo que ele, ou Ele, era capaz de fazer. E voltou a aplaudir e fazer vénias ao brasileiro quando foi rendido pelo miúdo Tiago Dantas, quase numa passagem simbólica com alguém que chegou a ser seu apanha bolas nos últimos cinco anos. Às vénias, Jonas respondeu com vénias. E ainda houve uma última palavra de Rui Costa após a substituição.

Jonas ainda entrou como se fizesse parte do plantel mas aquele 10 terá outro dono. Se em 2014 o brasileiro chegou ao Benfica já fora de tempo depois da data limite das transferências (algo que só aconteceu porque estava sem contrato após quatro anos em Valência), cinco anos depois todos lamentaram o que fez a passagem do tempo. Ficam os golos, as vitórias, os títulos e sobretudo o respeito mútuo do jogador que sonhava ser farmacêutico e foi muitas vezes remédio santo para as águias.