Marrocos, Senegal, Nigéria, Gana, Camarões. A lista poderia não ficar por aqui mas vem a propósito de algo maior que aconteceu há cerca de um ano, no Campeonato do Mundo da Rússia: pela primeira vez os oitavos de final da prova não contaram com qualquer equipa africana. O Egito, no grupo da anfitriã Rússia e do Uruguai, não fez um ponto. Marrocos, eliminado nas duas primeiras rondas do grupo de Portugal e do Irão, conseguiu apenas um empate na última partida com a Espanha. A Nigéria alcançou um triunfo com a Islândia mas caiu com derrotas frente a Croácia e Argentina. A Tunísia, depois de perder com Inglaterra e Bélgica, conseguiu só o triunfo de honra no derradeiro jogo com o Panamá. Depois, houve ainda o Senegal.

Orientado pelo excêntrico Aliou Cissé, o conjunto senegalês acabou por cair no desempate com o Japão só por ter mais cartões amarelos no final da fase de grupos. Ganhou à Polónia, empatou com os nipónicos, perdeu com a Colômbia mas deixou a clara sensação de que tinha potencial para fazer muito mais aproveitando algumas figuras que se destacam nesta geração e a quem se juntam outros valores espalhados por ligas como a francesa ou a turca. Como em qualquer formação que se destaca das demais, há uma estrutura que faz andar o resto entre Koulibaly (Nápoles), Gueye (Everton) e Mané (Liverpool). E foram os dois últimos que decidiram o encontro desta quarta-feira com o surpreendente Benim nos quartos da Taça das Nações Africanas.

O campeão europeu pelo Liverpool, que foi também um dos melhores marcadores da Premier League numa época que ainda lhe poderá render um salto grande na eleição da Bola de Ouro, fez a assistência, o médio do Everton de Marco Silva que continua a ser disputado por alguns clubes ingleses e pelo PSG apontou o único golo da partida e o Senegal deu mais um passo para uma inédita conquista do troféu, depois da final perdida em 2002 com a Costa do Marfim nas grandes penalidades (11-10).

Gueye cumprimenta Aliou Cissé: depois das boas indicações no Mundial, Senegal chega às meias da CAN (JAVIER SORIANO/AFP/Getty Images)

Nascido em Dakar, Gueye, o médio que se assume como perfeccionista e que odeia perder a bola em jogo, como confessou numa entrevista ao The Guardian, começou a jogar no Diambars (curiosamente um clube que teve como um dos criadores Patrick Vieira, antigo campeão mundial francês) e transferiu-se para o Lille em 2008 e conseguiu mesmo fazer parte da equipa que fez história ao vencer a Ligue 1 em 2010/11. A troco de mais de dez milhões de euros, o médio transferiu-se para o Aston Villa em 2015, onde esteve apenas uma época antes de se mudar para o Everton por pouco menos aproveitando uma cláusula do contrato que fixava um montante mais baixo em caso de descida de divisão – e logo na primeira temporada conseguiu tornar-se o jogador das cinco principais ligas europeias com mais tackles e intercepções em média por jogo.

Apesar de não ser propriamente um goleador (o máximo que conseguiu foram quatro golos em 2014/15, a última época do Lille), Gueye acabou por decidir a primeira partida dos quartos e colocou o Senegal nas meias-finais da Taça das Nações Africanas 13 anos depois, onde irá defrontar o vencedor do Madagáscar-Tunísia desta quinta-feira.