Manuel Pinho vai ser alvo de interrogatório a 10 de setembro, às 14:30, de acordo com o Expresso. O antigo ministro da Economia e Ricardo Sá Fernandes, o advogado que o representa, foram notificados do agendamento. Será o primeiro interrogatório de um dos arguidos do processo, numa lista que inclui o presidente executivo da EDP, António Mexia.

O Expresso diz ainda que para o mesmo dia está prevista a inquirição como testemunha de Luís Gravito, da Boston Consulting Group. E que, antes disso, o DCIAP vai ouvir dois antigos administradores da Herdade da Comporta — Carlos Beirão da Veiga a 4 de setembro e Carlos Cortês no dia 5.

O antigo ministro da Economia foi constituído arguido em julho de 2017 por suspeitas dos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, mas o caminho foi longo até aqui chegar.

O advogado Ricardo Sá Fernandes recorreu da decisão, porque Manuel Pinho não foi confrontado com todos os factos que o Ministério Público lhe imputa e o juiz Ivo Rosa aceitou o recurso — o antigo ministro deixava de ser arguido. No entanto, o Tribunal da Relação de Lisboa acabou por anular a decisão do juiz de instrução no final de junho, por considerar que não tinha legitimidade para tomar aquela decisão.

Manuel Pinho esteve quase a ser ouvido pelo DCIAP no ano passado, mas apresentou um incidente de recusa contra os procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto, titulares dos autos do caso EDP. O antigo ministro alegou que foi notificado para prestar declarações como arguido quando o juiz Ivo Rosa já tinha declarado nulo esse estatuto processual. E que o Ministério Público forçou a notificação para o interrogatório quando já sabia que estava marcada uma audição no Parlamento há várias semanas. O interrogatório não se chegou a realizar na altura.

Além das suspeitas sobre a ligação entre Manuel Pinho e a EDP, estão a ser investigadas ainda as ligações ao Grupo Espírito Santo.