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Justiça

Tribunal suspende pena do recluso mais velho do país. Homem de 90 anos foi condenado por matar genro

O homem de 90 anos matou o genro e foi condenado a uma pena de quatro anos e nove meses. O Tribunal da Relação de Lisboa suspendeu agora a pena daquele que se tornou o preso mais velho de Portugal.

A casa de Manuel “Açoriano”, na aldeia do Furadouro, em Torres Vedras

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O Tribunal da Relação de Lisboa decidiu suspender a pena de prisão de Manuel Garcia, o homem de 90 anos que matou o genro a tiro no verão passado, e que tinha sido condenado a quatro anos e nove meses de prisão efetiva, pelo crime de homicídio simples agravado pela utilização de arma, revelou ao Observador fonte ligada ao processo.

Manuel “Açoriano” — como também é conhecido na aldeia de Furadouro, na cidade de Torres Vedras, onde viveu e cometeu o crime — ainda esteve cerca de dois meses no Estabelecimento Prisional de Lisboa, mas tinha sido transferido para o lar da Santa Casa da Misericórdia, em maio deste ano, onde continuou a cumprir a pena de prisão com pulseira electrónica.

Manuel matou o genro, António Veríssimo, na noite de 6 de julho do ano passado para, segundo afirmou na altura em que foi detido, vingar a morte da filha que tinha morrido à data, há quatro anos. Testemunhas dizem que a filha sofria de violência doméstica e que acabou, por isso, por cometer o suicídio. Mas também há quem garanta, como avançaram alguns jornais na altura, que morreu na sequência de um ataque cardíaco. Manuel sempre culpou o genro pela morte da filha e quis vingar-se.

Manuel e a mulher, que estava acamada na sequência de uma doença oncológica, sofreriam, também eles, de violência doméstica por parte do genro. Após a morte da filha, o genro mudou-se para a casa dos sogros e o relacionamento entre eles piorou, sendo “pautado de grande agressividade verbal e mesmo física”, escreveu o Ministério Público na acusação. Horas antes de o idoso ter disparado contra António, os dois terão discutido. Manuel terá mesmo ameaçado o genro de morte. “Não me prejudiques que eu te mato”, terá dito, de acordo com o mesmo documento.

Assim o fez. Manuel aproveitou a saída do genro ao final da tarde e foi buscar uma caçadeira — que pertencia ao próprio genro — e carregou-a com dois cartuchos. Esperou duas horas pelo regresso de António. Assim que atravessou o portão, Manuel “levantou-se” e “empunhou a caçadeira”. Não disse uma única palavra ao genro. “Apontou a arma ao seu peito e disparou dois tiros”, lê-se na acusação. Um atingiu-o no punho direito. O outro foi fatal: acertou no lado direito do peito.

Levantou-se, empunhou a caçadeira e, sem trocar uma palavra, apontou a arma ao seu peito e disparou dois tiros, atingindo-o no punho direito e peito do lado direito”, lê-se na acusação.

Foi o próprio Manuel que pediu aos vizinhos para chamarem as autoridades. Foi detido e confessou o crime.

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