Glenn Greenwald, jornalista que foi responsável por divulgar informações comprometedoras sobre o comportamento do ministro da justiça brasileiro quando era procurador do Lava-Jato, acusa o governo brasileiro de ser “repressor e autoritário” e de “se sentir desesperado”. “Moro sabe que sei de tudo o que disse e fez e que o vamos contar”, afirma em entrevista ao jornal El País.

Glenn Green­wald tem 52 anos, vive no Rio de Janeiro há 15. Tem como ídolo de infância Daniel Ellsberg, um ex-analista militar norte-americano que forneceu os Pentagon Papers à imprensa americana. É casado com o deputado do PSOL David Miranda com o qual adotou dois filhos. Começou como advogado, mas foi o jornalismo que lhe deu os mais importantes prémios do jornalismo americano — Pulitzer e George Polk — ao ser o principal impulsionador e autor da divulgação de uma série de reportagens sobre o Caso Snowden que deixou marcas na NSA, a agência de segurança norte-americana. Agora volta a estar com os focos apontados a si por ser coautor das reportagens “Vaza Jato”.

O jornalista diz que no momento em que recebeu a informação sobre o juiz Sergio Moro percebeu que “seria uma bomba no Brasil”. ” O que estava a ler não era só impactante, implicava a pessoa mais poderosa do pais, mais talvez que o presidente. É ele quem dá credibilidade e legitimidade ao governo de Bolsonaro”, diz apesar de não esclarecer como lhe chegou a informação de forma a proteger a fonte.

A informação, assegura, está protegida em vários locais fora do Brasil. Foi essa uma das prioridades da equipa que depois tratou da divulgação da informação através dos meios de comunicação brasileiros de maior alcance. Greenwald defende que os jornalistas não devem fingir não ter opiniões: “em certa medida é mais honesto ser aberto sobre os pontos de vista que defende”.

O coautor das reportagens “Vaza Jato” diz ainda, ao El País, que o dever de revelar informação de interesse público é de “qualquer cidadão” e não apenas dos jornalistas. Diz ainda que enquanto pai numa família homossexual sente “a obrigação de mostrar que as famílias LGBTI podem ser completas e felizes”