O ex-líder do PSD e comentador da SIC, Luís Marques Mendes afirma que a “lei aprovada é música celestial”, que não tem “consistência nem rigor”. Para o comentador faltou criar uma verdadeira Comissão de Ética na Assembleia da República para “pôr em ordem os conflitos que existem no Parlamento”.

“O que se passa é uma vergonha, os deputados encobrem-se uns aos outros, decidem em causa própria, são cúmplices uns dos outros”, acusa o ex-líder dos sociais-democratas acrescentando também que as campanhas dos partidos deviam ser financiadas por capitais públicos, “um custo virtuoso para a democracia”. Marques Mendes defende assim a proibição do financiamento privado das campanhas eleitorais já que, afirma, “muita da corrupção” tem início nesse momento.”Quem dá um donativo para um partido não o faz de forma inocente. Quer uma contrapartida. Condiciona os dirigentes ou candidatos”, disse instando ao fim deste tipo de financiamento: “acabemos com estes alçapões que só desacreditam a democracia”.

Luís Marques Mendes comentou ainda a hipótese de Mário Centeno continuar no próximo governo com uma pasta ministerial. De acordo com o comentador da SIC, Centeno será candidato nas legislativas ao lado de António Costa ficando a “carreira internacional para 2021”, depois do primeiro semestre quando Portugal recebe a presidência da Comissão Europeia. O atual ministro das Finanças deverá ser reconduzido no cargo, permitindo a sua continuidade como presidente do Eurogrupo, que integra os ministros da zona euro.

Luís Marques Mendes abordou ainda a questão sensível da suspensão de funções de autarcas, deputados ou governantes acusados de crimes graves “como a corrupção”. O comentador da SIC afirma que está em desacordo com António Costa e que os partidos deviam “obrigá-los a suspender de imediato as suas funções”, assim que são constituídos arguidos nos processos. Para tal, defende, os partidos deviam criar Comissões de Ética e Códigos de Conduta.

Na semana em que o país assistiu ao debate do estado da nação, no Parlamento, Marques Mendes considerou que este foi um debate que “nada disse ao país”. E nada disse ao país porquê? O comentador diz que foi  “muito descolado da realidade, com muitos chavões e sobretudo muitos exageros”, que já tem em vista as eleições de 06 de outubro e foi feito “em modo campanha eleitoral”. Afirma que o Governo pintou o país de azul celestial, apesar de ter dito que não o ia colorir de cor-de-rosa e que a oposição exagerou ao afirmar que a ação do Governo foi um “deserto” o que, considera, é próprio de campanha eleitoral, “mas não é muito credível”. O comentador fez “um balanço positivo dos últimos quatro anos” afirmando que “as pessoas estão melhor do que estavam em 2015”.

Luís Marques Mendes destacou as duas sondagens desta semana que dão uma vitória do PS com 15 pontos de diferença para o PSD “nunca aconteceu uma diferença tão grande”, com o PS em primeiro lugar e o PSD em segundo. O comentador alertou ainda para a hipótese de uma coligação entre o PS e o PAN, caso o partido Pessoas-Animais-Natureza atinja os 4,5% ou 5% para que as sondagens apontam neste momento.

No campo das sondagens, mais um apontamento de Marques Mendes, sobre o Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa é “uma verdadeira superstar”, considerou. O comentador destacou a popularidade altíssima do chefe de Estado junto de todos os partidos e apontou para a hipótese do PS não apresentar nenhum candidato às eleições de 2020, apoiando a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

Sobre o recente acordo conseguido pela esquerda na lei de bases da saúde, Marques Mendes apelida a lei de “eclética” já que, afirma, beneficia todos os partidos “cada um à sua maneira”. O ex-líder do PSD afirma que o maior beneficiado é António Costa, mas repete aquilo que já tinha defendido num comentário no final de junho, que esta é “uma lei que não muda nada”. “Vai ser um trunfo eleitoral e permite fazer discurso de mudança. A lei não muda nada, mas permite a expectativa de mudança”, considerou Marques Mendes.