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Violência

82% de alunos do Porto mostra intolerância à violência, revela estudo

Estudo do projeto Creare tem como enfoque a igualdade de género, evitar violência entre pares e na intimidade, treinar competências sociais e pessoais, gerir conflitos e abordar os direitos humanos.

Um total de 200 alunos, durante quatro anos, participaram no projeto.

Tiago Petinga/LUSA

Cerca de 82% dos alunos de escolas do Porto envolvidos no projeto Creare, revelou-se “intolerante à legitimação da violência”, disse, esta segunda-feira, à Lusa a presidente da Associação Democrática de Defesa dos Interesses e da Igualdade das Mulheres (ADDIM).

Com enfoque na igualdade de género, violência entre pares e na intimidade, treino de competências sociais e pessoais e na gestão de conflitos, direitos humanos e das crianças, o projeto Creare resulta de uma parceria entre a ADDIM e a Divisão Municipal de Projetos Educativos da Câmara do Porto, informou Carla Mansilha Branco.

Envolvendo alunos de três turmas do pré-escolar e quatro do 1.º ciclo de escolas do Porto, o projeto iniciado há três anos tinha entre os principais objetivos “dotar as crianças de ferramentas para reconhecer e gerir as suas emoções, estratégias de resolução de conflitos sem recurso à violência”.

As escolas básicas Padre Américo, Miosótis e Agra, no pré-escolar, e Pasteleira, Condominhas, Alegria e Bandeirinha, no 1.º ciclo, foram as instituições onde um total de 200 alunos, durante quatro anos, participaram no projeto.

Estas são escolas referenciadas pela Comissão de Proteção de Jovens em Risco como “estabelecimentos onde é importante a intervenção junto destas crianças”, referiu a presidente da ADDIM.

Tendo como base que “educar para a não-violência é ajudar os/as jovens a construir uma sociedade mais saudável”, o projeto “trabalha e desenvolve novas competências de relação e de sociabilidade opostas à violência, promovendo relações saudáveis”, concluindo-se na ajuda prestada “a tratar os conflitos, a divergência, os interesses opostos, as contradições, de forma pacifica”.

“No final do ano letivo, 81,6% dos alunos é intolerante à legitimação da violência, tendo-se verificado no final do projeto uma anulação face aos resultados dos alunos que no início do projeto legitimavam comportamentos violentos, e que era de 72,5%”, salientou a responsável da ADDIM.

No âmbito do projeto, em cada um dos níveis de ensino foram trabalhados diferentes módulos.

No pré-escolar, após a avaliação inicial, trabalharam-se os “direitos das crianças, estereótipos e papéis de género, multiculturalidade, competências pessoais e sociais, resolução de conflitos, reconhecimento e expressão de afetos e a autoestima”.

No 1.º ciclo, conhecida a avaliação prévia, foi trabalhada a “igualdade de género, papéis de género, educação sexual, ‘bullying’, ‘cyberbullying’, treino de competências pessoais e sociais e gestão de conflitos”.

A ADDIM, enfatizou a presidente, “desde a sua génese que se propôs a defender os direitos das mulheres e a igualdade de oportunidades entre géneros”, razão porque tem “consolidado, ao longo dos últimos anos, um trabalho de terreno psicoeducacional, sistemático e rigoroso, no âmbito da prevenção primária e secundária da violência com resultados muito positivos”.

Base deste e de outros projetos de sensibilização junto da comunidade escolar, a ADDIM “entende que este trabalho de terreno contribui e contribuirá para uma mudança de mentalidades necessária para atingir uma sociedade mais igualitária, saudável e justa”.

A 21 de junho, o parlamento aprovou, por unanimidade, o voto de pesar proposto pelo BE “por todas as vítimas de femínicidio e restantes vítimas mortais de violência doméstica em 2019”, o crime que “mais mata em Portugal”.

Conforme noticiado pela agência Lusa, o voto apresentado pelo BE lembra que “só em 2019 já se somam 18 vítimas mortais em contexto de violência doméstica”, sendo a maior parte mulheres, 16 no total, o que confirma que “é um crime que carrega a marca de género”.

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